sábado, 27 de fevereiro de 2016

Retrospectiva- Site Ecopedagogia/ Artigos e Entrevistas - Luciana Ribeiro




 Data: 26/11/2015
Por Luciana Ribeiro


Como pedagoga e educadora ambiental, tive a honra de conhecer e compartilhar de algumas perspectivas educacionais que foram mobilizadas pelos professores Heloísa Helena Carvalho de Oliveira e Ivo Brito Aguiar (professores da Escola CEF9 de Taguatinga), Andréa Brugin dos Santos Ferreira e Davi Silva Fagundes (professores do CEMTN – Centro de Ensino Médio de Taguatinga) e Robson Majus Soares(educador Ambiental popular) que, juntos, convidaram seus alunos e comunidades para terem o privilégio de dialogar sobre os problemas e algumas soluções pedagógicas possíveis de serem implementadas dentro e fora do contexto escolar, e dessa maneira, redimensionar a qualidade do ensino brasileiro.


Para difundirem a relevância da sustentabilidade em Brasília, os professores Heloísa Carvalho e Ivo Aguiar, fundadores do Projeto Cerrado Com Vida (projeto fundado durante o curso de Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e Com-Vida/ UNB-NUEAMB-SEDF) mobilizaram reuniões e novos desafios referentes à importância da preservação do cerrado no DF e dos problemas gerais que ferem os direitos humanos e os direitos da Terra, os quais são amparados pela Constituição Federal e pela Legislação Ambiental – Lei nº. 9795/99 - Política Nacional de Educação Ambiental e o decreto que a regulamenta, dessa forma, os professores, amigos e gestores públicos são convocados para agirem a favor do planeta Terra.

O Projeto Cerrado Com Vida propiciou algumas vivências pedagógicas, como por exemplo, os professores da rede programaram uma roda de conversas com os alunos, os educadores, os amigos e os parceiros, como o IBAMA, o ICMBIO, o IBRAM, o Projeto Rios Voadores/Petrobras e outras instituições socioambientais que estiveram presentes para mostrar que a vontade política de se realizarem trabalhos em parcerias, colaboram de fato, para a democratização dos estudos, das pesquisas e dos conhecimentos socioambientais que amparam o aprendizado crítico, amoroso e sustentável.

O evento realizado no CEF 9 de Taguatinga teve a honra de receber um artista plástico desta comunidade,José Alves de Oliveira - JAOLIVEIRA que produziu junto com seu parceiro de exposição, Célio Roberto de Oliveira, alguns trabalhos artísticos fundidos em alumínio reciclado pela técnica da espuma perdida (“lost foam”), que utiliza modelos elaborados com poliestireno expandido (isopor R), expostos através de ferramentas e equipamentos artesanais. Essa arte de reciclar aquilo que poderia ser descartado como lixo foi elogiada por Pedro Rodrigues, um cidadão que visitou o evento e disse que a exposição serve para ensinar conceitos de Química, Matemática, Física e Educação Ambiental, disciplinas a serem discutidas para humanizar os alunos e a comunidade escolar, ou seja, há muito para se fazer pela educação em Brasília, a qual precisa ser referência para as demais cidades brasileiras.

Fotos/JAOLIVEIRA









Dialogando sobre o exercício da cidadania ambiental no DF com o educador Robson Majus Soares (facilitador da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola - Com-Vida/DF), compreendemos que a implementação de ações inerentes a Com-Vida no DF e no Brasil (fundada desde 2003) exerce um papel fundamental para discutir responsabilidades para com o planeta Terra, junto com os jovens e cidadãos e gestores públicos. Neste sentido pedagógico, Robson enfatizou que o educador precisa ter clareza do termo sustentabilidade e que para contornar as pedras que aparecem durante suas pegadas ou lutas ecológicas, será preciso encará-las como uma provação a ser vivenciada com amor, perseverança e solidariedade.

Refletindo sobre a seriedade do evento que visa ampliar horizontes políticos e pedagógicos com a participação de toda a comunidade escolar, considero que a crise ambiental (desmatamentos de áreas verdes, poluições causadas pelos lixos, etc.) tornou-se um ponto de partida crucial para dar continuidade à democratização dos conhecimentos socioambientais que não podem findar-se e nem ficarem fragmentados a pequenos grupos da sociedade, pois o MEC e o MMA (órgão Gestor da Educação Ambiental no Brasil) possuem a incumbência social e ambiental de colaborar e empreender projetos educativos em parcerias com as instituições governamentais (ICMBIO,IBAMA,MMA) e, desse modo político, qualificar o ensino brasileiro, inclusive, cumprindo a Legislação Ambiental que defende os direitos humanos e os direitos da natureza.

Parabenizo a equipe da direção, a equipe de professores, os alunos e as comunidades das Escolas CEF9 de Taguatinga e CEMTN, os educadores populares, os amigos, os parceiros e, em especial, o Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria de Educação/DF (foi extinto sem consultar os educadores ambientais do DF, denotando um fato muito questionado no IX Encontro de Educadores Ambientais realizado em 06/11/2015) representado por Flávia Maria Barbosa e GEB/CRET – a Coordenação Intermediária de Educação Integral e Educação Ambiental com Sirlene Reis Landin, que felizmente acreditaram no potencial acadêmico dos professores e dos alunos para compartilharem os conhecimentos socioambientais de modo crítico, contextualizado e interdisciplinar, os quais podem ser inseridos nos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas brasilienses.




Professor Davi Silva Fagundes (Presidente da Agenda 21 de Taguatinga)

“O movimento é o desdobramento da consciência ecológica junto com a comunidade, promovida pela Agenda 21 de Taguatinga e outros parceiros do CEF9 - Taguatinga Sul. Esse evento foi e é uma grande oportunidade para conduzirmos as mudanças que precisam ser realizadas, mesmo que em doses homeopáticas...”



Ambientalista Álvaro César de Araújo – fundador do grupo FACEAVES, promove exposições diversas no DF,como em escolas, INMET, Bibliotecas, Exposição National Geographique e Prefeitura de Madri.



Depoimento: “Conhecer para preservara natureza.”


Créditos:  Álvaro César de Araújo



Fotos da área verde ( Estação Ecológica de Águas Emendadas) que divulgam a luta da professora Heloísa de Carvalho para mostrar a importância do cerrado, como sendo o berço das águas, o qual deve ser reconhecido e valorizado pelo ensino brasileiro por meio de visitas em áreas verdes. Os professores do CEF9 de Taguatinga Sul participaram da ação verde. 




Data: 03/12/2012
Entrevista com Berenice Gehlen Adams
Por Luciana Ribeiro

É com o imenso prazer e orgulho que apresento a Pedagoga e Educadora Ambiental do Rio Grande do Sul para falar sobre os trabalhos educativos (a publicação dos seus livros, artigos e projetos socioambientais para o ensino infantil e o ensino fundamental das escolas brasileiras) que tem desenvolvido no Brasil. E, por meio dessa contribuição ecopedagógica muitos educadores brasileiros se veem enriquecidos com os conhecimentos oriundos de sua vasta experiência  produzida ao longo desses anos.

Prezados leitores do site ecopedagogia, acesse para saber mais sobre o Projeto Apoema, que é direcionado por Berenice Gehlen Adams: http://www.apoema.com.br/ (visite o site e conheça seus livros, artigos, poemas, etc.). Todo esse referencial teórico é riquíssimo e bastante indicado para auxiliar os educadores do Brasil e do mundo inteiro!

Agradeço a sua “eco-colaboração” especial,  por meio da entrevista que segue:

Segue a entrevista com a ambientalista Berenice Gehlen Adams:

Luciana Ribeiro – Fale sobre o Projeto Apoema e os  benefícios de suas experiências, referentes à educação ambiental, as quais foram  realizadas nas escolas do Rio Grande do Sul. Você tem realizado algum trabalho educativo que beneficie o ensino informal no Brasil (aplicando atividades socioambientais em parques públicos, orfanatos, igrejas, etc.)?

Bere Adams - Agradeço muito pelo convite para esta entrevista, Luciana, muito obrigada! O Projeto Apoema- Educação Ambiental nasceu com o nome de Projeto Vida, logo após a Eco 92, com a elaboração do livro “Planejamento Ambiental para Professores da Pré Escola à 3ª Série do I Grau” (nomenclatura vigente na época), que foi publicado em 1997 de forma independente. Neste período comecei a trabalhar de forma experimental com escolas e participei de muitos eventos divulgando a proposta. Em 1999, descubro a Internet como uma grande possibilidade de ampliar a abrangência do projeto, e fiz o site que mantenho até hoje. Para minha estranheza, naquela época poucos professores da educação básica acessavam este recurso. Resolvi, então, ampliar a abrangência do projeto focando-me mais na disseminação da Educação Ambiental (EA) do que em práticas pontuais e locais, que são realizadas eventualmente, tanto em escolas como universidades e empresas através de oficinas e palestras. Em 2003 fui solicitada a alterar o nome, pois uma escola de São Paulo havia registrado o nome “Projeto Vida”. Então, pesquisando nomes indígenas, chegamos a Apoema – que é uma variação de Apoena e significa “aquele que enxerga longe”. Desde lá, o trabalho pela rede se intensificou cada vez mais, e o projeto serve, principalmente, para incentivar ações de EA nas escolas e outros espaços educadores de todo o Brasil.

 Luciana Ribeiro – Como você analisa o engajamento do órgão gestor de educação ambiental  (OG), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Educação (MEC)  com as causas ambientais no Brasil?As escolas do Rio Grande do Sul têm tido o apoio pedagógico necessário para implementar suas atividades ecológicas?

Bere Adams - Este ponto é bastante interessante, Luciana, porque há sim, excelentes projetos e programas de EA desenvolvidos pelo MMA e pelo MEC para o suporte e incentivo a esta prática. Posso citar alguns que conheço como o projeto Sala Verde, que disponibiliza informações ambientais para comunidades e escolas; os coletivos educadores sustentáveis, que se fundamentam no Programa Nacional de Educação Ambiental, entre outros, porém, ainda falta um programa de capacitação para professores que seja mais cativante e que os incentive e desperte o interesse deles pela EA, de forma que percebam que a EA não é algo a mais para ser trabalhado, mas algo que muda o foco de como se processa a educação na atualidade. Ainda falta este entendimento, a meu ver, dentro das escolas (e outras instituições), desde os professores à equipe diretiva.

 Luciana Ribeiro - Sabe-se que o Projeto Político Pedagógico (P.P.P) precisa ser construído coletivamente pela comunidade escolar (gestores, coordenadores e professores). Portanto, que conselhos você dá para eles construírem suas atividades e seus projetos socioambientais  de modo a beneficiar a preservação de suas cidades locais? As famílias dos alunos podem contribuir para o êxito de alguma tarefa educativa a ser realizada nessas escolas?

Bere Adams - O PPP é o coração da escola, e se nele bate a EA, então a escola tem tudo para promover as mudanças que todos queremos para o bem do meio ambiente. Porém, o que se percebe é uma lacuna referente à inserção da EA no PPP, justamente pela falta de compreensão de uma EA interdisciplinar e crítica - que deve estar presente em todas as ações educativas. Normalmente as atividades de EA são inseridas no PPP como práticas pontuais e focadas em demasia para “datas comemorativas” ou “datas verdes”, quando poderia estar sempre presente no dia a dia das escolas. O que posso sugerir para a inclusão da EA no PPP, é que, em momentos de discussão com a comunidade escolar, que a EA seja referenciada a partir de algum instrumento concreto, como por exemplo: A Carta da Terra, ou a Agenda 21 local (se a cidade tem elaborado), e com os professores sugiro um trabalho com a Lei Nº 9.795/99 que legitima a EA no Brasil. Recentemente foram aprovadas as Diretrizes Curriculares da Educação Ambiental que também devem ser do conhecimento do corpo docente. Isto seria o ponto de partida para então, eleger ações a serem incluídas no PPP, contemplando, assim a EA.

 Luciana Ribeiro – Quais os recursos pedagógicos (livros, artigos, poemas, etc.) de sua autoria, que você recomenda para o educador brasileiro implementar suas atividades ecológicas dentro e fora do contexto escolar, como, por exemplo, ensinar a comunidade a combater o mosquito da dengue na cidade local em que mora?

Bere Adams - A EA visa incentivar que cada escola trabalhe os problemas ambientais do seu universo, provocando os educandos e a comunidade escolar para a busca de soluções. Mas, apesar de a EA ter surgido por uma necessidade frente aos problemas ambientais, não considero adequado trabalhá-la somente a partir de problemas, e sim, trabalhar a sensibilidade ambiental que perdemos em nossa sociedade do consumo. Ações muito simples podem levantar aulas maravilhosas integrando alunos e meio ambiente, por exemplo: num dia quente, quando começa a chover, se por alguns minutos o professor parar a atividade e falar sobre a chuva, sobre as sensações que ela provoca, sobre os seus benefícios, ele estará fazendo educação ambiental, que promove a reconexão da criança com o ambiente, com os fenômenos, com acontecimentos do cotidiano... Um dos livros que eu mais gosto para uma compreensão mais aprofundada da EA é o Educação Ambiental da teoria à prática: ideias pedagógicas e roteiro educacional ambiental para professores. O livro destaca a principal característica da EA que é a interdisciplinaridade, esmiuçando este conceito para possibilitar uma compreensão mais ampla do fazer educacional aliado a aspectos ambientais, da vida, da realidade. Além de enfoques teóricos, este livro apresenta um roteiro pedagógico destacando quatro pilares conceituais que servem de referencial (ou temas geradores): ambiente, ecologia, preservação e reciclagem. Depois deste, creio que todas as demais publicações  poderão agregar para enriquecer esta prática. Para conhecê-las, basta acessar http://www.apoema.com.br/LivrosdeEA.htm

Luciana Ribeiro – Há algum projeto novo para o ano de 2013, que queira comentar ou divulgar para os educadores e cidadãos brasileiros que carecem de conhecer e compartilhar as novidades ligadas à área de Pedagogia e de Educação Ambiental?

Bere Adams - Eu sempre digo que o Projeto Apoema, na verdade, são vários projetos em um só. Além de estar na programação a elaboração de uma nova história infantil de cunho ambiental, estou desenvolvendo uma pesquisa sobre métodos de alfabetização. A esta altura, já é possível perceber que se trata de um problema muito sério da educação brasileira. Li mais de 50 artigos e constato que não temos uma metodologia de alfabetização adequada e que não há clareza nas metodologias de alfabetização vigentes. Já busquei as referências e o próximo passo é adicionar ingredientes da EA para, pretensiosamente, propor um novo processo – ou método – de alfabetização, ampliando a proposta pedagógica exposta no meu primeiro livro que já sugere uma metodologia de alfabetização ambiental para crianças. Também pretendo ampliar a abrangência do Informativo Apoema para que mais professores tenham acesso, além de dar continuidade para a publicação da revista eletrônica Educação Ambiental em Ação: www.revistaea.org

 Conheça seu blog:

 http://projetoapoema.blogspot.com.br/

 Acesse o link para comprar seus livros: Clique

Fonte: Site Ecopedagogia: www.ecopedagogia,bio.br (foi desativado)

A importância da Alfabetização Ecológica nas escolas brasileiras

Data: 10/06/2014

Entrevista com Berenice Gehlen Adams

Por Luciana Ribeiro

É com imensa honra e satisfação que convidamos a Pedagoga e Educadora Ambiental do Rio Grande do Sul para dialogarmos sobre as ações pedagógicas que permeiam o lançamento do seu livro ABC Ambiental Ilustrado: Um Mundo Encantado Chamado Terra, com atividades para alfabetização em 2013. Felizmente,

compartilharmos com os leitores do Jornal, um bate-papo ecológico muito especial sobre os novos conhecimentos que recomendam a vivência da cidadania ambiental entre os gestores, os educadores e os futuros pedagogos do Brasil.

Para conhecer ou pesquisar as informações voltadas para a educação ambiental que facilita e redimensiona a leitura e a escrita na escola, acesse o site do Projeto Apoema (http://www.apoema.com.br/), que é direcionado por Berenice Gehlen Adams e embasado pela Política Nacional de Educação Ambiental, Todo esse referencial teórico é riquíssimo e bastante indicado para auxiliar a comunidade escolar (professor, diretor, aluno ). Segue a entrevista:

JMA: Qual sua visão referente à alfabetização que é desenvolvida nas escolas brasileiras? Relate alguma experiência que considera importante para ensinar valores que descrevem a qualidade de vida do cidadão brasileiro e do meio ambiente.

A visão que tenho sobre a alfabetização do Brasil não é nada otimista, Luciana, e ela vem de algumas pesquisas que fiz quando estava trabalhando no projeto do livro ABC Ambiental Ilustrado, pois evidenciaram que os processos de alfabetização, da maioria das escolas do nosso País, não têm apresentado bons resultados e estes vão refletir em diversos problemas de aprendizagem dos alunos, ao longo da sua vida escolar, como por exemplo: leitura lenta; problemas de interpretação; muitas dificuldades em escrever uma boa e simples redação; e, o pior deles, o da falta de interesse pela leitura. Quanto a relatar alguma experiência, ressalto que todas as atividades que sensibilizem as crianças sobre o meio ambiente para a importância da vida e evidenciem que há uma conexão entre tudo e todos, são fundamentais. Utilizar recursos didáticos como livros e outros que envolvam os sentidos para aguçar a percepção ambiental, também é muito importante, como áudios, vídeos, fotografias, ilustrações. A exploração de diferentes espaços como parques, praças, museus, espaços públicos e ambientes ao ar livre – desde que sejam seguros – é fundamental para o envolvimento das crianças com essa ciranda que se chama VIDA.

JMA: Como pedagoga experiente e apaixonada pela preservação do meio ambiente, o que de fato motivou a produção do livro ABC Ambiental Ilustrado: Um Mundo Encantado Chamado Terra com atividades para alfabetização no ano de 2013? De que forma ele instrumentaliza ou apóia educadores do Rio Grande do Sul e das demais cidades brasileiras? 

Eu sempre tive um imenso desejo de produzir um livro didático para as crianças que estão ingressando no mundo da leitura e da escrita, e que pudesse aliar o processo de alfabetização propriamente dito, ao desenvolvimento de uma consciência crítica em relação ao meio ambiente. Eu sou muito a favor de livros textos para a alfabetização, que são também chamados de “cartilhas”, pois eles podem funcionar como passaportes para o mundo da leitura, mas infelizmente, não temos boas produções à nossa disposição por disponibilizarem textos que privilegiam os fonemas, as letras, e muitas vezes não têm sentido algum para a criança. A maioria deixa a desejar em se tratando de conteúdo. O ABC Ambiental Ilustrado é um livro que traz para cada letra um poema, e apresenta ilustrações e fotos com conceitos que podem ser explorados pelos professores, no processo de alfabetização. Ele pode ser pintado, recortado, desenhado, escrito, lido, enfim, pertencerá à criança, e ela poderá apropriar-se dele. Nesta fase as crianças aprendem muito mais com o concreto, com o que podem manipular, por isto entendo que o livro, nesta fase, é fundamental. Em relação ao seu conteúdo, há a preocupação de apresentar palavras que evocam o nosso sistema de vida e tudo o que ele envolve. Caberá a cada docente ampliar estes conceitos, inserindo-os no universo de seus alunos, abordando a interdisciplinaridade que estiver nele implícita. Uma cartilha ou um livro texto que não seja extrapolado pelos professores em suas atividades, nunca trará bons resultados, por si só. Como o ABC Ambiental Ilustrado foi lançado no final de 2013, não há, ainda, experiência concreta a se relatar. Há um projeto piloto da sua aplicação em andamento para o ano letivo de 2014 em parceria com uma cidade de Minas Gerais, então, os resultados poderão ser colhidos, apenas, no final desta aplicação. Estou muito confiante de que se trata de um recurso pedagógico que pode enriquecer no processo de alfabetização, bem como na inserção da Educação Ambiental à rotina escolar da educação básica salientando que pode ser utilizado em qualquer localidade do País.

JMA: A organização do livro contou com sua vivência de educadora por meio de fotos, desenhos e outros detalhes que dignificam seu amor pela natureza. O professor precisa vivenciar a educação ambiental antes de apregoá-la para seus alunos?

A Educação Ambiental é uma prática em que a maioria dos professores já está engajada, quer seja por determinação das escolas, ou como iniciativa do professor por exercício de sua cidadania planetária. O docente, necessariamente, deve acompanhar o que acontece no mundo para abordar em suas aulas, e o mundo está mostrando que precisamos dar maior ênfase a atitudes que minimizem os danos ao meio ambiente, então, este recurso pedagógico pode ser um grande aliado, principalmente se o professor não tiver familiaridade com a Educação Ambiental em seu contexto teórico (muitos docentes utilizam especificamente e de forma estanque as datas comemorativas e temas fechados como lixo, poluição, reciclagem, raramente enfocando a beleza da vida,de sua plenitude, evidenciadas nas suas infindáveis lições, trabalhando o meio ambiente e seus “problemas” ao invés de abordar o meio ambiente e a vida que ele abriga.). Para estes professores, o livro poderá ser um incentivo para que ele se engaje a esta prática, que nada mais é do que trazer a vida em seu amplo contexto para dentro das atividades escolares. 

JMA: De acordo com suas experiências pedagógicas, como o professor pode articular conhecimentos práticos referentes aos temas complexos, como o aquecimento global, a reciclagem do lixo, a poluição dos mares etc? Nesse sentido, poderia indicar duas sugestões de atividades que considera primordiais para fundamentar a alfabetização ecológica no contexto escolar?

Luciana, eu procuro enfatizar que a Educação Ambiental mais profunda é aquela que promove um trabalhado educativo sob o prisma de como a vida funciona, as relações existentes entre diferentes ecossistemas, envolvendo todas as disciplinas, associando os conteúdos curriculares possíveis – uma vez que estes devem ser atendidos -. Esta Educação Ambiental desperta o interesse das crianças de forma que elas se sintam alegres e envolvidas em descobertas, caso contrário, sem este envolvimento, a criança fica assustada com abordagens como: “Precisamos salvar o Planeta”, ou que “O Meio ambiente está sofrendo”. Elas ainda não têm a capacidade de alcançar a compreensão de futuro, e por isto se sentem impotentes diante tantos problemas que nem foram elas quem criaram. Por este motivo, sugiro que a Educação Ambiental seja abordada por um foco mais abrangente de meio ambiente, uma vez que, normalmente, partimos de algum “problema” para praticar a Educação Ambiental. Porém, isso não impede que estes temas que você levantou, Luciana, sejam trabalhados, mas devem estar dentro de um contexto que seja significativo para as crianças. Para abordar o tema “aquecimento global”, uma sugestão é fazer uma visita a alguma estufa de mudas, podendo ser em floriculturas ou viveiros florestais, e mostrar como funciona esta estufa (Em não podendo sair com as crianças, pode-se utilizar um livro que trate do assunto, ou um vídeo). A partir deste aprendizado, o professor cria atividades que possibilitem uma associação ao efeito estufa natural da Terra, para que as crianças percebam que sem ele seria tão frio que não haveria vida no Planeta, assim como algumas plantas precisam da estufa para germinar e crescer. Depois de compreendido, aí se chega ao assunto aquecimento global, para a compreensão de que o calor nesta estufa natural da Terra se acentua pelo excesso de fumaça que é liberada no ar (explorar diferentes tipos de fumaça, bem como as atividades que geram fumaça). Enquanto o professor perceber que há interesse no assunto, explora-o até o esgotamento ou até que perceba outro tema que possa dar continuidade. Em relação à sugestão para um trabalho focado em reciclagem, será muito apropriado partir de algo concreto, que evidencie o sistema de reciclagem natural que existe na terra, pela decomposição de material orgânico, podendo ser visto em composteiras, que podem ser feitas na própria escola. Fazer um minhocário, também é bem simples e mostra como as minhocas transformam o lixo orgânico em húmus. A partir disto, podem-se explorar muitas atividades interdisciplinares enfocando os resíduos que geramos e o tempo que demoram em se decompor, desde atividades artísticas, até brincadeiras com a sucata, criação de histórias, entrevistas, visitas a feiras, etc, lembrando que, ao tratar o tema reciclagem deve ser tratado, também, o tema redução de consumo.

JMA: Fale sobre a importância da arte ambiental, que pode ser articulada por meio de teatros, músicas,vídeos,confecção de recicláveis, os quais ajudam o professor a reeducar seus alunos para a preservação da natureza. Você acha que as indústrias podem fabricar brinquedos ecológicos e, desse modo, ajudar os educadores a desenvolverem essa missão educacional?

A arte, de todos os tipos, é uma das mais belas maneiras que se pode fazer a Educação Ambiental de forma interdisciplinar. A sucata é uma importante matéria prima, porém, é preciso salientar que estes materiais devem ser previamente solicitados, dando um prazo para a sua coleta de resíduos limpos que a família da criança costuma produzir durante uma semana, por exemplo. Nunca solicitar que as crianças tragam materiais específicos como: 3embalagens de garrafas PET, 2 embalagens de copos de Iogurte, 1 embalagem de pote de sorvete, etc, pois muitas famílias que não fazem uso de certos produtos passarão a consumi-los porque é preciso mandar para a escola do filho – aí está havendo um incentivo ao consumo, e o que é pior, de maneira forçada. Há muitos relatos de pessoas que passaram a comprar um determinado produto, pois alguém o recicla muito bem, ou precisam levar para um curso ou para a escola. Se gerarmos uma dependência destes recursos, geramos outro problema, ao invés de minimizá-lo. Mas, a reciclagem deve sim, ser incentivada como recurso pedagógico de fácil acesso. Tem muito material educativo encontrado no lixo, e isto são poucos os que compreendem. Há muitas pessoas que são completamente contra a utilização da sucata, mas pelos motivos que citei, e com razão. Sobre a produção de brinquedos ecológicos, estes, sem dúvida, são muito bem-vindos para apoiar a Educação Ambiental! 

JMA: O órgão gestor de educação ambiental (Ministério do Meio Ambiente e Mistério da Educação) no Brasil pode e deve ajudar os educadores a resolverem os problemas ambientais. Poderia citar algum referencial educativo (livro, vídeo, projeto) indicado por eles, os quais auxiliam o trabalho de alfabetização realizado no contexto escolar?

Há muito tempo eu acompanhava bem de perto as atividades do MMA, Luciana, e nesse tempo percebia um grande esforço, principalmente na época da Ministra Marina Silva, o MA e a EA no Brasil tinham mais destaque. Foi um tempo em que muitos ideais da Educação Ambiental tomaram corpo nas ações de educação. Houve uma explosão de Redes de EA por todo o Brasil, graças a REBEA (Rede Brasileira de Educação Ambiental). Foi quando nasceram muitos projetos como as Salas Verdes, os Coletivos Educadores, e produziam materiais informativos, publicações, entre outros, mas há muito tempo que não acompanho mais o Órgão Gestor do MMA, por não ter nenhum envolvimento, atualmente. Além disto, ao final de 2012 o Projeto Apoema – EA deixou de ser ONG e passou a ser programa socioambiental da empresa Apoema Cultura Ambiental, justamente por falta de possibilidades reais de parcerias com o Governo, por falta de incentivo e pela burocracia desgastante dos processos para apoios a projetos. 

JMA: O desafio de implementar as políticas públicas voltadas para a sustentabilidade nos currículos escolares é algo fundamental para melhorar a qualidade do ensino no Brasil. Segundo as pesquisas acadêmicas (Berenice Adams/Vilmar Berna/Moacir Gadotti), as crianças e os adultos compreendem melhor os valores essenciais para a convivência social no planeta Terra, tais como respeitar a diversidade cultural e zelar pelo local de moradia. O que falta de fato para que os governantes, os educadores, as famílias brasileiras dialoguem sobre a cidadania ambiental no contexto escolar?

Esta sua pergunta, Luciana, dá um bom tema para uma tese, e por isso, respondê-la é um desafio. O que falta, principalmente no nosso Governo é: coerência; respeito, conhecimento, atitude, seriedade, boa vontade e principalmente, o exercício da cidadania planetária. De um lado, nossa legislação ambiental brasileira é a mais completa do mundo, de outro, o nosso Governo permite verdadeiras atrocidades, como por exemplo, a transposição do Rio São Francisco, a construção de grandes usinas hidrelétricas, o desrespeito com os povos indígenas, e por aí vai. Assim, ocorrem inúmeros retrocessos, em prol de grandes corporações que lucram com a devastação. Para mim, este é o ponto crucial que justifica a falta de um diálogo sobre cidadania ambiental no contexto escolar, é um reflexo dessa irresponsabilidade ambiental governamental.

JMA: Fale sobre a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação (http://www.revistaea.org/) que você articula com amigos, colaboradores, parceiros e ambientalistas renomados para ajudar a disseminar a educação ambiental no Brasil. Fale sobre essa “alfabetização de idéias e projetos ecológicos” que beneficiam aqueles que não sabem zelar pelo meio ambiente. Os universitários podem mobilizar algum trabalho acadêmico por meio dela? Como?

A revista eletrônica Educação Ambiental em Ação é uma produção virtual, e é fruto de um desejo de educadores ambientais e produtores culturais de diferentes áreas de atuação, de diversas partes do País, - sendo uma das participantes da Argentina -, todos integrantes do GEAI (Grupo de Educação Ambiental da Internet), que se articula como rede, fundado em 2000. A cada dia aumenta de forma muito significativa a participação de acadêmicos e universitários que enviam suas experiências, ações, pesquisas em seus artigos, que são avaliados e, se aprovados e estando de acordo com as normas da revista - que estão disponíveis no site - são publicados. A revista conta, ainda, com diversas seções como: Dinâmicas, Textos de reflexão, Educação, Sugestões Bibliográficas, Arte e Ambiente, Práticas de Educação Ambiental, Entrevistas, entre outras. Normalmente elaboramos um cronograma anual definindo o tema de cada edição, elegendo uma frase que será o “norte” dos nossos trabalhos. Acredita-se que a produção é uma grande contribuição para todos que queiram aprimorar suas práticas relacionadas à Educação Ambiental. Sua periodicidade é trimestral e desde 2001, quando foi lançada, já tivemos mais de 4 milhões de acessos, um número muito significativo para uma produção que não faz uso de publicidade, evidenciando a grande procura pelo assunto Educação Ambiental.

JMA: O ensino da educação ambiental pode e deve ser articulado nos cursos de Pedagogia, mas, infelizmente, esse processo de reeducação é algo difícil, burocrático e desafiador para as universidades e faculdades brasileiras pela falta de apoio pedagógico para implementar atividades práticas, como organizar uma horta escolar, por exemplo. Poderia socializar alguns conselhos ambientais concernentes à aplicação de conhecimentos práticos para os futuros pedagogos do Brasil?

A falta da Educação Ambiental nos cursos de formação de professores, de Pedagogia, - e de outros cursos de outras áreas do conhecimento - evidencia mais uma contradição das nossas políticas públicas, sendo que a Lei Nº 9.795, que institui o Programa Nacional de Educação Ambiental, abarca os seguintes artigos que se relacionam ao seu questionamento:

Art. 10 A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal. 

§ 1o A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino. 

§ 2o Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se fizer necessário, é facultada a criação de disciplina específica. 

§ 3o Nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas. 

Art. 11 A dimensão ambiental deve constar dos currículos de formação de professores, em todos os níveis e em todas as disciplinas. 
Parágrafo único. Os professores em atividade devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental. 

Art. 12 A autorização e supervisão do funcionamento de instituições de ensino e de seus cursos, nas redes pública e privada, observarão o cumprimento do disposto nos arts. 10 e 11 desta Lei.

Na prática, infelizmente, isto não acontece, evidenciando descaso e irresponsabilidade no descumprimento desta Lei, criada já em abril de 1999, e, ainda hoje, a maioria dos professores e dos espaços de educação desconhecem a sua existência.

Concluo a minha resposta, então, Luciana, com alguns conselhos a quem está fazendo Pedagogia: 

- Conheça os documentos referência da Educação Ambiental, facilmente encontrados na Internet: A Lei 9795; Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global; e, a Carta da Terra (existem muitos outros, mas estes eu considero como principais);

- Leia artigos pedagógicos que tratam de experiências de Educação Ambiental relacionadas ao que é do seu interesse. Se trabalha com corpo docente e equipe diretiva, busque por experiências que promovam a capacitação em Educação Ambiental e sensibilização de docentes e da equipe; se trabalha com crianças, inteire-se de práticas, dinâmicas, e atividades relacionadas; se trabalha em empresa, busque conhecer como a Educação Ambiental é trabalhada nestes ambientes empresariais.

- Elabore um projeto de Educação Ambiental e busque meios de aplica-lo no seu ambiente acadêmico.

A partir daí, o caminho estará aberto para muitas descobertas que implicarão em uma melhor visão da Educação Ambiental e da sua relação direta com o ser pedagógico de cada um.

JMA: O Projeto Apoema oferece cursos ou palestras direcionadas aos educadores brasileiros. Quais são eles e como acessá-los para que gestores e professores adquiram conhecimentos para enriquecer a prática da educação ambiental dentro e fora do contexto escolar?

Por algum tempo o Projeto Apoema desenvolveu três cursos de Educação Ambiental à distância, através da Apoema Cultura Ambiental, que é a empresa pela qual presto estes serviços e publico os livros de Educação Ambiental. Como os recursos tecnológicos dão saltos grandes em curtos espaços de tempo, resolvemos dar uma reelaborada no ambiente virtual e em breve pretendemos retomá-los. Em relação a palestras, atualmente venho desenvolvendo o tema: Cultivando um jardim de atitudes sustentáveis e pode ser abordado tanto com professores como com crianças a partir dos 10 anos. Além disso, faço oficinas com professores que tratam dos documentos referência da Educação Ambiental. Muitas instituições me procuram para elaborar projetos (tanto escolas como empresas) muitas vezes já com um tema específico, para o qual preparo a palestra ou a oficina em forma de “encomenda”. 

JMA: Fale sobre o consumo infantil no Brasil e as ações que envolvem a alfabetização ecológica para sanar a crise ambiental que tende a agravar-se no mundo inteiro.

Este é um tema, Luciana, que tem grande importância dentro do contexto da Educação Ambiental porque ele precisa extrapolar o ambiente escolar para chegar nos lares, nos pais, nos avós, na comunidade, pois as crianças só consomem o que os adultos adquirem para ela. A escola poderá, através de eventos, de informativos, de atividades desafiadoras, levar a comunidade a perceber que consomem muito mais do que necessitam, conscientizando-os para o consumo sustentável. Outro ponto desta questão do consumo infantil é o da própria escola incentivar o consumo através da sua cantina, disponibilizando produtos alimentícios de baixa qualidade. 

JMA: Deixe um recado eco especial para os leitores do Jornal Meio Ambiente e seus contatos para serem divulgados para os educadores brasileiros.

A Educação Ambiental é um processo apaixonante e transformador, e não se trata, de forma alguma, de se incluir mais conteúdos ao currículo escolar ou torná-la uma disciplina, mas sim, ela nos propõe a evocar um novo olhar no nosso fazer educacional, que inclui o ambiente em sua totalidade, às práticas rotineiras. Sou míope, e lembro-me perfeitamente do dia em que saí da ótica com meus óculos novos. Na época eu tinha treze anos. Fiquei maravilhada com tudo o que via... Eu podia ver cada folha das árvores, podia distinguir o tipo de pássaro que voava, podia ver o rosto bem definido das pessoas, quando antes tudo era nebuloso. É mais ou menos isto o que se sente em relação à educação, quando colocamos as lentes da Educação Ambiental, é quase um encantamento. 


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ABC Ambiental Ilustrado: Um Mundo Encantado Chamado Terra, com atividades para alfabetização

Autora: Berenice Gehlen Adams
Ilustrações: Ana Claudia Rocha e Berenice Gehlen Adams
Páginas: 120
Formato: A5 / papel reciclado(meio ofício)
Preço: R$62,00

No livro “ABC AMBIENTAL ILUSTRADO: UM MUNDO ENCANTADO CHAMADO TERRA, com atividades para alfabetização”, para cada letra há um poema acompanhado de diversas atividades ilustrativas, que combinam aprendizado com descobertas a partir de pinturas de desenhos, letras, escrita de palavras e muita observação com fotografias exclusivas, todas relacionadas com vivências e experiências da autora.




Obrigada pela colaboração educadora e parabéns pela realização dos trabalhos pedagógicos que enobrecem o meio ambiente!

A equipe do Jornal Meio Ambiente/Site Ecopedagogia

Deseja muito sucesso!


Fonte: http://www.jornalmeioambiente.com/ Site Ecopedagogia: www.ecopedagogia.bio.br (foi desativado)


A educação financeira para crianças e adultos brasileiros com o Portal Edufin




Por Luciana Ribeiro

Convidamos a equipe que dirige o portal educador (www.edufin.com.br) para dialogarmos sobre os benefícios da educação financeira para a vida da criança e de sua família, as quais carecem de apoio pedagógico vinculado às escolas e aos bancos, para compreenderem noções básicas de uma economia
digna,cidadã e sustentável. Segue a entrevista para compreendermos algumas soluções reeducadoras que ajudam a melhorar o ensino público e o ensino privado no Brasil.

JMA: O Portal EduFin surgiu com o intuito pedagógico de reeducar crianças e adultos para aprenderem a poupar suas economias no dia a dia, dessa forma, tornando-se uma referência para estudos que recomendam ações preventivas, como, por exemplo, compreender noções básicas para economizar o dinheiro por meio de compras conscientes e bem planejadas. Fale dos benefícios alcançados por meio desse trabalho que propicia o exercício da matemática do modo digno e sustentável.

Portal Edufin: Apenas a formação do hábito sobre as boas práticas de consumo é que formará uma ação preventiva eficaz, tanto em relação às mazelas geradas pelo consumo impensado e suas consequências, quanto em relação à poupança para se plantar um futuro mais seguro, sem grandes preocupações em relação ao dinheiro. Com relação à matemática, ela deve ser vista como uma ferramenta de grande utilidade, mas apenas como ferramenta e não objetivo final. Consumir é bom, pois atende nossas necessidades e dinamiza a economia. O que não é bom é consumir de forma desmedida, até porque a primeira das consequências é o endividamento, e outra é a impossibilidade futura de continuar consumindo.

JMA: Segundo as pesquisas acadêmicas realizadas pelo Portal EduFin, quais são as maiores dificuldades encontradas para abordar noções básicas de economia para os cidadãos brasileiros (saber gastar e poupar o dinheiro)? De que forma eles recebem o apoio dos bancos e das escolas para compreenderem os benefícios da educação financeira, como, por exemplo, comprar somente o necessário para não comprometerem o orçamento mensal e ainda saberem utilizar o cartão de crédito?

Portal Edufin: Ainda não temos pesquisas acadêmicas realizadas pelo Portal, mas disseminamos o que já existem em vários países. Acredito (veja, esta é uma visão pessoal) que a maior dificuldade não só no país, mas no mundo, é a falta de interesse no tema. Assim como muitas vezes só procuramos um médico quando estamos doentes, também só falamos em educação financeira quando temos dívidas. O professor José Dutra Sobrinho, um dos palestrantes do 1º Congresso de Educação Financeira nas Escolas – CONEFE, realizado em setembro de 2013, de quem sou fã, disse que “os bancos deveriam simplificar mais a sua comunicação para que a população pudesse entender melhor os produtos e serviços oferecidos.” Também acredito nisso, pois muitas vezes nos deparamos com informações bancárias complexas demais e que fogem completamente do nosso entendimento.

Em relação às escolas, visitamos algumas delas, devido ao 1º Congresso Nacional de Educação Financeira para Crianças – CONEFINHO, e nos surpreendemos, pois muitas destas instituições já possuem um programa de educação financeira e o resultado tem sido muito positivo.

JMA: Qual o percentual de brasileiros endividados e o que o poder público tem feito para sanar os problemas financeiros das classes sociais menos favorecidas que sobrevivem com salários muito baixos? Quais as recomendações pedagógicas que o Portal EduFin indica para os gestores públicos (deputado, senador, prefeito) trabalharem essa questão que pode melhorar o futuro do Brasil?

Portal Edufin: É interessante e difícil fornecer este dado com exatidão, pois os índices diferem de fonte para fonte. Em abril de 2014, segundo a Agência Brasil, esse dado passava dos 50%, atingindo na verdade a casa dos 62,3%. Já o IPEA trabalha com índices mais baixos...Mas, de fato, o que ocorre é que algumas agências realizam os cálculos levando em conta itens que outras não levam, como, por exemplo, a dívida da casa própria, que na verdade pode receber a leitura de dívida por patrimônio, que seria diferente da dívida por consumo. No entanto, não podemos esquecer que qualquer dívida, que tenha em sua base qualquer fundamento, no final do mês irá gerar uma conta a pagar. E caso o devedor tenha se excedido em gastos, talvez tenha alguma dificuldade para honrar esse pagamento, o que também acarretará em um encarecimento da dívida por juros cobrados, etc, como já sabemos.

Os problemas financeiros das classes sociais menos favorecidas são beneficiados pelo poder público em várias áreas, pois as áreas que demandam ajuda recebem algumas linhas de financiamento que beneficiam suas necessidades, como financiamentos para compra da casa própria (Programa Minha Casa, Minha Vida), para os estudos (FIES), medicamentos gratuitos, mesmo os de alto custo, bolsas-auxílio, que são no total 149 programas sociais, distribuídos de acordo com as necessidades específicas de cada região. Atualmente temos contato com alguns deputados que estão dispostos a abraçar a ideia de normatizar a educação financeira como uma iniciativa ampla para a sociedade.

JMA: Fale sobre 1º Congresso Nacional de Educação Financeira para Crianças – CONEFINHO, evento que visa colaborar com o debate que dissemina os princípios da sustentabilidade ambiental e financeira a ser implementada nas escolas brasileiras. Poderia recomendar alguns conselhos que serão debatidos nele e que auxiliam os educadores a vivenciarem a prática da Matemática dentro e fora do contexto escolar?

Portal Edufin: Estamos encantados com o resultado do CONEFINHO. Primeiro por gerarmos interesse nas escolas - em apenas três meses, tivemos que encerrar as inscrições, já com escolas em lista de espera. Segundo, pelos parceiros que acreditaram no projeto e abraçaram a ideia. O CONEFINHO será o primeiro evento direcionado às crianças e terá como pilares a educação financeira, empreendedorismo, consumo consciente e sustentabilidade.

Nesse dia, no período da manhã, os adultos inscritos participarão de debates e serão apresentadas ferramentas para serem utilizadas, tanto no dia a dia, como na escola ou empresa. Já no período da tarde, as crianças irão participar de ciclos de atividades sobre os temas, de forma lúdica e divertida.

Procuramos trazer parceiros que tenham conhecimento em determinado assunto, em todos os circuitos propostos. Por exemplo, o circuito “consumo consciente dos alimentos”, através de uma parceria com o SESI- SP, trará o programa "Alimente-se bem" e uma atividade sobre o tema. Assim, todas as atividades propostas terão aprendizados que poderão ser levados às salas de aulas como atividades complementares ou para o dia a dia em suas casas.

JMA: Quais os pilares que alicerçam a educação financeira e como o Portal EduFin desenvolve os cursos, palestras e seminários para os educadores, empresários e cidadãos interessados em aprenderem a gastar e poupar suas economias e comprarem bens materiais necessários (roupa, sapato, bolsa) para suas sobrevivências no dia a dia?

Portal Edufin: Os pilares que alicerçam a educação financeira são o consumo consciente e a sustentabilidade em seu sentido mais amplo, que pensa de forma a manter a perpetuidade nos âmbitos sócio-econômico-ambiental. Mas para nós é importante que tenhamos cuidado em não adotar uma postura moralista em relação ao consumo, pois se sabe que o consumo e a forma de consumir estão ligados à cultura na qual o indivíduo está inserido. Em diferentes culturas, podemos observar diferentes valores em relação ao consumo. Além disso, vale lembrar que estamos também numa economia baseada em formação de renda pelo consumo. Então não é desestimulando o consumo que obteremos bons resultados, e sim estimulando o consumo consciente.

JMA: O Portal EduFin participou da Semana Nacional de Educação Financeira, que foi realizada neste ano 2014? De que forma o grupo de trabalho socializa trabalhos que envolvem a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), política pública lançada em 2010, por meio do Decreto nº 7.397, de 22 de dezembro de 2010, com a finalidade de promover a cidadania e ensinar os cidadãos tomarem decisões conscientes para consumirem com responsabilidade e sustentabilidade financeira?

Portal Edufin: Sim. Tivemos uma participante que nos representou no 1º evento, quando do anúncio dos trabalhos para disseminação da educação financeira no país, nas dependências da BM&FBOVESPA. Nosso papel colaborativo na formação de cidadãos consumidores conscientes está no esforço desempenhado em nossas ações que têm dois formatos fundamentais. Uma de nossas atividades é contínua, pois mantemos um website completamente atualizado com o objetivo de disseminar a educação financeira de forma constante e consistente, com informações de elevada qualidade. A segunda ação está na organização e divulgação de nossos congressos, que são nossas atividades programadas. Cabe lembrar que para este ano (2014) temos três congressos programados. Todos são gratuitos, e atenderão a todos os públicos, pois um deles é voltado para as crianças – 1º CONEFINHO – que acontecerá em 28 de agosto. Outro, que será realizado em 27 de setembro, é o 2º CONEFIN – voltado para o público em geral, e que neste ano irá discutir a educação financeira nas diversas fases da vida. E, finalmente, o último programado é destinado ao jovem universitário, o 1º CONEFIN Universitário, que irá acontecer com a correalização da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) no dia 23 de outubro. Todos na cidade de São Paulo.
JMA: O portal EduFin poderia citar alguns materiais pedagógicos (vídeos, livros, cds) voltados para a educação financeira que redimensiona os trabalhados ministrados nas escolas brasileiras?
Portal Edufin: Hoje existem trabalhos maravilhosos sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo. Em uma das palestras do 1º CONEFE, um dos educadores financeiros disse uma coisa muito importante: “Não podemos colocar um programa como exclusivo ou melhor. Cada lugar, comunidade, cidade, estado e país tem suas peculiaridades e necessidades.”
Nós do Portal também acreditamos nisso, e este é nosso objetivo: disseminar o que existe no mercado, oferecer informações e conteúdos, visando o conhecimento ao cidadão. E cabe a cada um testar e decidir se esta ferramenta, livro ou programa atende às suas necessidades.

JMA: A matemática precisa ser ensinada de forma contextualizada e focada no cotidiano da criança e do adulto. Poderia citar algum projeto educativo que teve êxito no Brasil e que, de fato, pode melhorar a qualidade do ensino brasileiro?

Portal Edufin: Citar um ou outro programa acabaria por gerar uma injustiça com todos aqueles que vêm tendo êxito. Estamos num país com dimensões continentais, o que, portanto, faz com que até o cotidiano de seus cidadãos tenha peculiaridades regionais. Mas ressalto, conforme comentei acima, que a matemática é um meio e não a finalidade que devemos objetivar, pois ela tem o papel de ilustrar ou traduzir em números, o que os hábitos de consumo realizam. Então, o consumo consciente trará bons números, e o consumo impensado trará um mau resultado numérico.

JMA: Quais são as expectativas pedagógicas ligadas à economia brasileira para o ano de 2014? Fora programado algum projeto especial que mobilize o cidadão e sua responsabilidade com o uso do dinheiro e com o planeta Terra?

Portal Edufin: Por nossa parte, o projeto visa uma ação contínua no que diz respeito à disseminação das informações. As ações voltadas ao cidadão podem ser percebidas de maneira isolada, por parte de algumas instituições tanto públicas quanto privadas que geram cartilhas, programas de televisão, rádio e reportagens tanto divulgadas nos jornais quanto revistas e como é o nosso caso, também por meio da internet. O que ocorre, no entanto, é que por via de regra o cidadão só procura a educação financeira curativa e não a preventiva, pois também devemos lembrar que os cidadãos brasileiros estão passando por algumas transformações socioeconômicas e estão num processo de adaptação para uso de alguns meios de pagamento, como por exemplo, o uso do cartão de crédito, das compras parceladas, do cheque especial, etc. Pela baixa bancarização da população brasileira, os produtos bancários ainda são uma novidade, infelizmente nem sempre tão amigável a seus usuários, pois eles desconhecem o “preço do tempo do dinheiro”, que são os juros e taxas cobradas pelas instituições financeiras, e isso faz com que usem produtos inadequados a suas necessidades. Mas temos certeza que na medida em que estes cidadãos forem se reeducando financeiramente poderão contribuir fortemente para as ações de sustentabilidade financeira e, com isso, com o Planeta.

JMA: Deixe uma mensagem educativa para os leitores do site Ecopedagogia e para o Jornal Meio Ambiente.

Portal Edufin: Acreditamos que todos nós podemos fazer a diferença. A educação financeira é o primeiro passo para a liberdade consciente de suas escolhas. Seja o exemplo em sua casa, trabalho ou escola!


Pesquisa/Portal Edufin





 Educação para crianças e adultos brasileiros
  
Fabiana Raguza é formada em Marketing e Jornalismo com pós-graduação em Comunicação Empresarial. Atua na área de marketing e comunicação há mais de 15 anos. É idealizadora do Portal EduFin e dos congressos nacionais de educação financeira: Congresso Nacional de Educação Financeira (CONEFIN), Congresso Nacional de Educação Financeira para Crianças (CONEFINHO) e Congresso Nacional de Educação Financeira para Universitários (CONEFIN Universitário).


Fonte: Jornal Meio Ambiente/Portal do Meio Ambiente/Site Ecopedagogia

Entrevista com Reinaldo Domingos





Site Ecopedagogia
Por Luciana Ribeiro

Reinaldo Domingos é educador e terapeuta financeiro. Atualmente é presidente da DSOP Educação Financeira, organização que foi criada no ano de 2008 para disseminar a educação financeira no Brasil e no mundo, por meio de produtos e serviços para pessoas, empresas e instituições de ensino, por meio da Metodologia DSOP a qual é seu mentor.

Domingos, publicou vários livros, dentre eles “Terapia Financeira”, “Livre-se das dívidas”, Ter Dinheiro não tem Segredo”, “O Menino do Dinheiro – Sonho de Família”,  “ O Menino do Dinheiro – Vai à Escola”, “O Menino e o Dinheiro”,  “O Menino, O Dinheiro e os Três Cofrinhos” O Menino, O Dinheiro e a Formigarra” e outros voltados para educação financeira do ensino básico, publicados pela Editora DSOP.

As propostas educativas oferecidas pelo autor têm sido desenvolvidas de maneira didática, amorosa e dinâmica para tratar de assuntos fundamentados na teoria e na prática da educação financeira, dentro do Programa de Educação Financeira para escolas. Essa proposta pedagógica facilita a compreensão de situações-problemas que acontecem no dia-a-dia do cidadão.

No Brasil, a implementação da educação financeira começou em 2010 e fortaleceu-se com a criação da ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira) pelo Governo Federal. O momento, portanto, foi oportuno para a DSOP Educação Financeira colaborar com o debate das questões importantes para crianças, jovens e adultos, uma vez que o trabalho educativo valida situações de aprendizado sobre como lidar com finanças e como poupá-las de modo correto e sustentável.

Segue a Entrevista com Reinaldo Domingos:
Luciana Ribeiro – Como se deu o processo de implementação financeira no Brasil? Quais são as instituições parceiras que desenvolvem trabalhos e projetos para escolas brasileiras?

Reinaldo Domingos - A DSOP Educação Financeira é pioneira na educação financeira para o ensino básico, desde o ensino infantil, passando por todo fundamental, chegando ao ensino médio. Ao todo são 15 livros didáticos, um para cada ano letivo, neles encontram-se os quatro pilares da Metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar) trata-se de um método comportamental que mexe diretamente com os hábitos e costumes. Hoje, com mais de cem escolas privadas e dezenas de escolas públicas, a Metodologia já alcançou mais de 250 mil crianças. O grande parceiro desse projeto se dá pelo professor, protagonista principal visto que somente pode-se ensinar uma criança, o aluno, se o mesmo for capacitado na disciplina educação financeira. Também, no Programa de Educação Financeira DSOP os pais são envolvidos com palestras de sensibilização e conscientização. Com isso todos os envolvidos - crianças, jovens, professores e famílias - falam a mesma língua, assegurando assim que a educação possa transformar e construir uma nova geração de pessoas e famílias equilibradas e sustentáveis financeiramente.


Luciana Ribeiro - O Programa de Educação Financeira para escolas, realizado pela DSOP Educação Financeira, comprometeu-se  a trabalhar de forma interdisciplinar e transversal (segundo os PCNs do MEC), com os conteúdos desenvolvidos em seis eixos temáticos: família, diversidade, sustentabilidade, empreendedorismo, autonomia e cidadania. Assim, qual enfoque que se dá ao tema sustentabilidade?

Reinaldo Domingos - Sustentabilidade é uma palavra de ordem em tudo que fazemos e praticamos, assim é na sustentabilidade ambiental, como também na sustentabilidade financeira. Quando falamos em finanças logo pensamos que é necessário ganhar mais dinheiro e na verdade, ganhar mais dinheiro sem dúvida é importante, mas não, mais que saber administrar o dinheiro que se ganha. Lembrando do ditado “não é o quanto se ganha e sim o como administramos o dinheiro ganho”.

Em minha história de vida, onde desde meus 12 anos de idade quando lá fui auxiliar de camelô chegando nos meus 37 anos como um homem independente financeiramente, sempre prezei pela sustentabilidade, para isso tive que abrir mão de desejos imediatos para gozar de outros desejos muito mais importantes e necessários. Temos que focar e priorizar tudo aquilo que desejamos e sonhamos, sempre podemos alcançar e sustentar o que alcançamos desde que se tenha uma proposta de vida saudável, com disciplina e perseverança, não se esquecendo da educação financeira, é claro.


Luciana Ribeiro - Como você avalia os resultados e expectativas do Programa de Educação Financeira para escolas e famílias brasileiras?

Reinaldo Domingos - Avalio o Programa com muito otimismo, isto porque temos milhares de depoimentos de professores, pais de alunos que já tiveram suas vidas transformadas após aplicarem os ensinamentos da Metodologia DSOP. Trata-se de uma nova forma de ver o dinheiro, aprende-se que o dinheiro é meio e não fim, que ele serve para realizar sonhos. Quando ensinamos a educação financeira para o professor e ele passa para seus alunos que estamos construindo uma nova geração, isto porque, ele leva todo esse conhecimento para dentro de sua casa e com isso a família também se transforma, fazendo com que o ciclo se feche.

Luciana Ribeiro – Fale um pouco sobre seus livros e o que te motivou para escrevê-los?

Reinaldo Domingos - Como cheguei a minha independência financeira muito cedo, com 37 anos, percebi que poderia ajudar as pessoas, mas o que vem a ser independência financeira? É quando alcançamos uma reserva de dinheiro ou patrimônio líquido, com rendimento suficiente para não mais trabalharmos por necessidade, somente pelo prazer do trabalho. Hoje, com 51 anos de idade há 14 independente financeiramente tenho como missão disseminar a educação financeira no Brasil e no mundo por meio da Metodologia DSOP junto às escolas, empresas e famílias. 

Meus 23 livros desde, o primeiro Terapia Financeira – Realize seus sonhos com Educação Financeira, até o mais recente O Menino, O Dinheiro e a Formigarra, todos estão embasados na Metodologia DSOP. Por isso sempre procuro passar em minhas palestras, cursos, entrevistas que estar educado financeiramente é uma questão de escolha, assim como também o endividamento. Recomendo a todos que leiam pelo menos o Terapia Financeira e a série O Menino do Dinheiro, ambos levam a uma plena transformação de como enxergar e lidar com o dinheiro e em especial aprender que é preciso valorizar e priorizar  os sonhos para realizá-los.

Luciana Ribeiro – Como tem sido a atuação da DSOP junto ao MEC?

Reinaldo Domingos - Nossas obras já encontram-se junto ao MEC há mais de um ano para sua avaliação, sabemos que se trata de um processo lento, mas temos a certeza que o MEC aprovará todo conteúdo, visto que se trata de uma inovação. Hoje, a única coleção didática do ensino básico, que traz uma Metodologia comportamental, interdisciplinar e transversal (segundo os PCNs do MEC), com os conteúdos desenvolvidos em seis eixos temáticos: família, diversidade, sustentabilidade, empreendedorismo, autonomia e cidadania. Acreditamos também, que em muito breve, o Senado Federal aprovará o Projeto de Lei 171/09 que tramita desde 2009 e institui a educação financeira nos ensinos básicos privados e públicos. Até que isso aconteça estamos a passos largos em disseminar a educação financeira por meio da Metodologia DSOP.

Luciana Ribeiro – O cofre ainda é a melhor forma de ensinar a poupar dinheiro para evitar gastos desnecessários que comprometem o futuro do cidadão?

Reinaldo Domingos - Sem dúvida uma forma de poupar, mas somente o cofre para guardar o dinheiro não traz grandes ensinamentos. É preciso inserir junto com o cofre desejos, sonhos, isso mesmo, sempre que uma criança guardar dinheiro em seu cofre deveria estabelecer que dentro dele, deve-se ter sonhos e desejos. Quando um criança simplesmente guarda dinheiro por guardar, logo ela pega o dinheiro e gasta, isto porque, ela não objetivou o porque guardar. Tanto adultos, quanto crianças, precisam guardar dinheiro para sonhos e não simplesmente guardar por guardar.

Luciana Ribeiro - E a Mesada é ou não um instrumento que facilita a inserção da educação financeira?  

Reinaldo Domingos - Certamente que a mesada ou semanada pode sim auxiliar, mas chamo a atenção para um detalhe importante, dar apenas a mesada como na maioria das vezes se faz, não tem sido uma prática eficaz neste auxilio.

É preciso fazer como ensinamos na Metodologia DSOP no livro para crianças O Menino do Dinheiro – Vai `a Escola onde se ensina que junto com a mesada é preciso inserir o ingrediente sonhos de curto, médio e longo prazos, lembrando que para cada sonho é preciso saber o quanto custa, o quanto se guardará por mês e em quanto tempo. Lembre-se com essa dinâmica de realizar sonhos com parte da mesada, quando um jovem vai para o mercado de trabalho, terá o ganho de seu salário e deverá com este hábito guardar parte de seu sagrado salário e não consumir todo dinheiro que tem e o dinheiro que não tem por meio dos créditos fáceis como cartão de crédito e cheque especial, sem contar com os crediários. Enfim, todo cuidado é pouco devemos inserir sempre mesada com sonhos atrelados a mesma, caso contrario estaremos simplesmente estimulando o consumo.

Luciana Ribeiro – A capacitação de professores é fundamental para lidar com questões inerentes à educação financeira. Nesse sentido, a DSOP Educação Financeira tem realizado projetos educacionais voltados para a escola?

Reinaldo Domingo - Sem dúvida dentro do Programa de Educação Financeira o grande diferencial é a capacitação do professor, não se pode ensinar educação financeira para uma criança sem antes o professor ter passado por este aprendizado. Professor educado financeiramente é caminho certo para seus alunos aprenderem esta disciplina. Mas qual professor? De Matemática? Ciências? Português? Filosofia? Sociologia? Eu respondo qualquer professor  de qualquer disciplina pode ministrar educação financeira, bastando que aprenda primeiro, vivenciem, por isso a Metodologia DSOP é fundamental, ela primeiro ensina os agentes multiplicadores que são os professores, e por meio deles garantimos a criação e construção de uma nova geração de pessoas e famílias educadas e sustentáveis financeiramente.

Luciana Ribeiro – A DSOP Educação Financeira desenvolve algum projeto educativo para o cidadão comum (analfabeto, carteiro, padeiro, aposentado e outros que estão fora do sistema de ensino brasileiro) ? De que forma?

Reinaldo Domingos - Sem dúvida a DSOP Educação Financeira tem atingido diversos públicos, lançaremos no segundo semestre o programa EJA – Ensino de Jovens e Adultos que tem como finalidade exatamente este público. Quando falamos de dinheiro todos precisam ter acessos. A Metodologia DSOP é um método comportamental e por isso não necessita de pessoas que saibam planilhas, cálculos e sim que aprendam a se comportar e ter os hábitos corretos de como controlar e respeitar o dinheiro. Como sempre falo uma criança antes de se alfabetizar já começa a entender que o dinheiro é uma moeda de troca, compra doces, sorvetes e guloseimas, então precisa criar os hábitos corretos de consumo e saber que o dinheiro pode também ser poupado para realizar todos seus sonhos e não somente consumi-lo, como a grande maioria de nossas crianças faz.

Luciana Ribeiro – Os bancos têm realizado alguma atividade ou projeto educativo em parceria com escolas e empresas que necessitam de apoio para compreender a problemática financeira do Brasil?

Reinaldo Domingos - É uma iniciativa válida, porém, as abordagem têm sido nas ferramentas de ciências exatas como planilhas, cálculos, matemática. Mas como já disse anteriormente não se muda uma pessoa ou uma geração por meio de cálculos e sim pelo comportamento correto. Os bancos podem e são aliados quando aprendemos a utilizar o lado bom deles, aliás o que me levou a minha independência financeira mais cedo foi utilizando os bancos como aliado, poupando e fazendo com que o dinheiro e juros trabalhassem a meu favor. Quando pagamos juros estamos destruindo nossa sustentabilidade e com isso gastando mais dinheiro, resultado disso  o endividamento e a inadimplência.

O negócio dos bancos é dinheiro, captar dinheiro por meio de seus investidores e aplicadores e emprestar a quem não têm dinheiro. Não há nada errado com os bancos, aliás eles hoje têm grande responsabilidade social em nossa sociedade. O que precisamos mesmo de fato fazer é educar nossa população para que saiba fazer escolhas, por meio do guardar dinheiro para realizar sonhos ou de pagar juros para realizar sonhos, nada mais do que uma escolha. Mas afirmo nosso sucesso futuro depende diretamente de nossas escolhas do presente, pense nisso, antes de usar dinheiro que não lhe pertence. Portanto poupar, guardar dinheiro é o caminho. Todo cuidado é pouco, quando a facilidade é muita precisamos ficar em alertas.

Luciana Ribeiro – Você acha que as instituições governamentais e não-governamentais (hospitais, mercados, padaria, lojas, empresas etc) podem participar de uma campanha educativa de educação financeira no Brasil? Como?

Reinaldo Domingos - Acredito que sim, mas como sempre digo, cada negócio é um, todos temos interesses e objetivos diferentes, somos seres humanos semelhantes. Para tanto devemos nos localizar junto ao mercado e ver o que agrega e o que não agrega valor.

Toda facilidade de credito traz pagamentos de juros, não existe parcelamentos sem juros, todos que pagam prestações estão pagando juros e gastando com isso mais dinheiro.  Lembrando que nossas lojas de magazines quando promovem vendas a prazo estão no seu direito, as financeiras promovendo dinheiro fácil, os hospitais melhores comodidades, enfim temos que entender que todo negócio necessita de lucro, toda promoção necessita de seus resultados. 

Se pensarmos que ao comprar um veículo à vista podemos comprá-lo com desconto e se comprar a prazo paga-se até dois veículos, a escolha passa por uma conscientização de respeito ao dinheiro e de ansiedade. É preciso educar-se financeiramente e entender de uma vez por toda que não devemos combater o sistema financeiro, mercantil e sim aprender a usar o sistema de forma consciente e madura.

Luciana Ribeiro – Segundo estudos e pesquisas acadêmicas, a publicidade na TV, rádio, internet interfere no comportamento de crianças, jovens e adultos de forma muito negativa. Você acha que esses meios de comunicação podem colaborar para o enfrentamento da crise financeira no Brasil?

Reinaldo Domingos - Sem dúvida toda ajuda será bem vinda, mas acredito que seja um pouco difícil até porque trata-se do negócio deles, uns de anunciar, outros de vender a prazo, outros de financiar, parcelar, então o que nos resta é conscientizar e educar pais, professores, crianças e jovens, pela educação financeira comportamental, poderemos combater na causa do problema, de nada adianta simplesmente tentar eliminar ou criticar o sistema, é preciso saber driblar e até usá-lo de forma inteligente. 

Também chamo a atenção de nossos governantes que muitas vezes não tem o conhecimento do que realmente é educação financeira, temos que levar o quanto antes para as salas de aulas e mostrar que para se construir um país de primeiro mundo, será necessário enfrentar o problema como ele é!

Educação financeira se aprende cedo e por meio da Metodologia DSOP nas escolas, empresas e em nas famílias. Invista na saúde financeira de sua família, quanto mais cedo começar mais cedo alcançará o equilíbrio e a sustentabilidade financeira. Acredite na beleza de seus sonhos, perseverança é a palavra chave dessa transformação.

Acesse para conhecer a Organização DSOP Educação Financeira:

Portal: www.dsop.com.br   ou  www.editoradsop.com.br 
Contato da Imprensa: imprensa@dsop.com.br 

Contatos para palestras, cursos, terapias e programas de educação financeira nas escolas e empresas: comercial@dsop.com.br




Entrevista com Renato Marchesini




Data: 05/09/2013

Por Luciana Ribeiro

A Caiçara Expedições e o meio ambiente

Tainhazinha a Mascote da Caiçara Expedições



Renato Marchesini é Bacharel em Turismo, Pós-Graduado em Ecoturismo, Guia Regional, Nacional, da América do Sul e Especializado em Atrativos Naturais pelo Ministério do Turismo, licenciado em Didática e Prática do Ensino Superior. Ele possui, ainda, cursos nas áreas de Administração, Arqueologia, Sobrevivência e Convivência ao ar livre, Ecologia, Manejo de Trilhas, Ecossistemas, Educação Ambiental e outros. Presta serviços em diversas empresas do trade turístico. Dentre as funções que desempenha, destaca-se como: Professor de Turismo, Hotelaria e Meio Ambiente; Palestrante; Elaborador Roteiros; Condução de Grupos e Consultor e Assessor em Projetos Turísticos e Ambientais.

O site“ecopedagogia” foi bem recepcionado pelo defensor da natureza, por isso convido os leitores do canal verde a lerem suas experiências que dignificam o meio ambiente de modo cidadão, responsável e sustentável.Segue a entrevista com ele:


Luciana Ribeiro– Fale sobre a Agência de Viagens e Turismos (Caiçara Expedições  Turismo Consciente) que promove o lazer verde e a educação ambiental. Qual o lucro educacional desse trabalho que já é desenvolvido há mais de 15 anos na Região Metropolitana da Baixada Santista, conhecida por Costa da Mata Atlântica (formada pelos municípios de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Cubatão, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe)?

Renato Marchesini: Trabalhamos Eu e Renata Antunes da Cruz (bióloga) conduzindo pessoas e grupos para conhecer as belezas e importância da Mata Atlântica há mais de 15 anos. E com o aumento de nossa demanda e amadurecimento profissional surgiu a necessidade e oportunidade de abrirmos a Caiçara Expedições Turismo Consciente – Agência de Viagens e Turismo.

Luciana Ribeiro- As Universidades e faculdades brasileiras estão preparadas para educar o cidadão que não tem acesso ao ensino formal? É possível citar alguma experiência com tal desafio educador?

Renato Marchesini: Uns dos públicos que focamos é o educacional! Acreditamos muito na importância dos discentes poderem conviver in-loco o ambiente e desta forma proporcionar atividades de estudo e pesquisa do meio. Desta forma conseguem compreender e amarrar o conteúdo de sala de aula com a vivência no campo. Muito mais que levar as pessoas para áreas naturais, propomos possibilidades do vistante perceber que ele faz parte do meio e suas ações e contribuições podem e devem fazer a diferença. E como funcionam estas atividades? Conversado com o professor ou coordenador pedagógico é montado um projeto sob medida para a necessidade de cada instituição de ensino. Ex: Bioma Mata Atlântica, Ecossistema Restinga, Ecossistema Manguezal, Costão Rochoso, Aves, Mamíferos, Anfíbios, Recursos Hídricos, Flora, Comunidades Tradicionais e muitas outras possibilidades.

Luciana Ribeiro- Quais os problemas que mais atingem as áreas verdes da Costa Atlântica, e como tem sido resolvido pelo poder público?

Renato Marchesini: Possuímos aqui grande especulação e pressão sobre nossas florestas e ambiente costeiro, devido grande crescimento regional (econômico e populacional), Isso engloba áreas de ocupação irregular, condomínios de alto padrão e pré-sal. O poder público corre muito atrás do prejuízo, possuímos grandes passivos ambientais ainda não solucionados. Mas já verificamos de alguns órgãos o olhar de planejamento.

Luciana Ribeiro- Você acha que as Unidades de Conservação do Brasil têm cumprido o papel de educar cidadãos para preservarem o meio ambiente? O que falta para elas mobilizarem e implementarem projetos socioambientais com a participação do cidadão brasileiro?

Renato Marchesini: Muitas Ucs em nosso País somente existem no papel, mas não cumprem vossas obrigações e motivo de existência, sendo eles de conservação/preservação (não possuem fiscalização eficaz) o quadro de colaboradores é infinitamente pequeno, mal equipadas e poucas atividades de pesquisa. Quanto a programas de educação ambiental deveriam investir no manejo de trilhas para o uso público e trabalhar mais em parcerias com Agências de Turismo especializadas como de criar mecanismos de visitação e estratégias para a Educação.

Luciana Ribeiro- Como tem sido sua comunicação com o poder público para realizar trabalhos em parcerias com a Agência Caiçara Expedições Turismo Consciente e, de fato, preservarem o verde do Brasil?

Renato Marchesini: Somos ativos e participantes em uma diversidade de Conselhos de Turismo e Unidades de Conservação, participamos também em muitos eventos ligados a temática. Já possuímos com alguns órgãos do poder público parceria no fomento de nossas atividades. Mas estamos sempre procurando novas parcerias.

Luciana Ribeiro- De acordo com sua experiência profissional, o que falta para o poder público sensibilizar o cidadão brasileiro (motoqueiro, dona de casa, analfabeto, médico, etc.)? Pode citar algumas atividades populares voltadas para a educação ambiental?

Renato Marchesini: Acreditamos que através de campanhas e propostas educativas o poder público teria que apostar nas ações locais de envolvimento (gestão participativa). Fazer que o indivíduo e coletivo sinta-se parte do processo de construção de boas práticas e de mínimo impacto. E que neste processo se evidencie a qualidade de vida gerada destas ações.

Luciana Ribeiro-Como ambientalista e amigo da natureza, como você tem abordado o consumo adulto, inclusive, sabendo das dificuldades e barreiras que existem nessa fase de vida, como, por exemplo, o fato de alguns se recusarem a reduzir a quantidade de resíduos sólidos gerados nos lares?

Renato Marchesini: Quando levamos as pessoas para o ambiente natural, e com a leitura do ambiente conseguimos através destas vivências a experiência do participante, que para viver e ser feliz é necessário pouco. E que temos que observar muito mais na vida o que nos cerca e suas relações.

Luciana Ribeiro- Quais são suas expectativas para o futuro do planeta Terra?

Renato Marchesini: As novas gerações já estão muito mais antenadas e preocupadas com a “Mãe Terra”. Porém vale uma grande atenção no quesito populacional. As populações em maneira geral vem tendo seu aumento no mundo e os recursos cada vez mais escassos. Está mais que na hora da sociedade começar a discutir a questão do controle populacional.

Luciana Ribeiro- Para melhorar a comunicação ambiental no Brasil, o órgão Gestor da Educação Ambiental - Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério da Educação (MEC) - poderia articular projetos socioambientais que propiciam a participação dos cidadãos brasileiros? Você pode sugerir algumas ideias pedagógicas para se realizar essa tarefa educadora?

Renato Marchesini: Órgãos ligados ao meio ambiente deveriam estar mais próximos a órgãos ligados à educação “dentro das instituições de ensino”. Como a Amiga verde Luciana bem propõe a “Ecopedagogia”. Grandes eventos sejam sempre também palco de ações e campanhas educativas ambientais. E que dentro de veículos de mídias possua sempre propostas e dicas ambientais.

Amigo Eco leitor conheça nossas atividades na web: www.caicaraexpedicoes.com e também o Blog Caicara: www.blogcaicara.com 

Eco Abraços e Muita Luz.....

Renato Marchesini – Gestor de Projetos Caiçara Expedições Turismo Consciente


Obrigada pela eco-recepção verde e parabéns pelo desafio educador!

Abraço verde!


Resultados da IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente - IV CNIJMA"



Data:  27/05/2014

Por Luciana Ribeiro

A importância da escola sustentável e a educação brasileira

Entrevista com José Vicente de Freitas – Coordenador Geral de Educação Ambiental do Ministério da Educação (CGEA – MEC).

Para divulgarmos os resultados da IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente, para os educadores brasileiros, com muito mérito, convidamos o coordenador de Educação Ambiental do MEC para dialogarmos sobre a implementação de ações e de projetos que constroem uma escola sustentável no século XXI. Nesse sentido, foi de suma importância socializarmos algumas responsabilidades pedagógicas, que perpassam pelos princípios da cidadania ambiental, mencionada pela Lei nº 9.795 que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) no Brasil. Segue a entrevista:

Luciana Ribeiro- O tema “Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis” foi escolhido para ressaltar a importância da sustentabilidade para as escolas brasileiras. Segundo a coordenação da educação ambiental do Mistério da Educação (MEC), quais foram os parâmetros estabelecidos para abordar os projetos educativos que viabilizam a qualidade de vida para os cidadãos brasileiros, como, por exemplo, o que fazer para combater o mosquito da dengue, o que fazer para aprender a selecionar os resíduos sólidos e outros relevantes para construir as políticas públicas voltadas para a preservação ambiental no Brasil?

José Vicente de Freitas: Qualquer um dos problemas apontados no final da pergunta, mosquito da dengue e tratamento de resíduos sólidos, podem e devem ser enfrentados por meio do desencadeamento de processos educativos permanentes, continuados e articulados que envolvam a comunidade escolar como um todo na discussão sobre estas e outras situações-problemas presentes no território onde a escola está inserida. O processo educativo é capaz de gerar novas habilidades, atitudes e comportamentos que viabilizem ao indivíduo se relacionar com o mundo a partir de outros referenciais. Cada um de nós, ao nos transformamos, por decorrência, também transformamos o mundo. Assim, os problemas e mazelas que ainda vivenciamos como sociedade podem sim ser enfrentados e superados a partir de processos educativos que sejam capazes de desenvolver a nossa capacidade de compreensão e de nos inspirar à intervenção e ao exercício do protagonismo.

A nossa proposta para a IV Conferência Nacional Infanto juvenil pelo Meio Ambiente, realizada em 2013, foi feita a partir da chamada “Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis” uma vez que acreditamos na possibilidade de promoção da cultura da sustentabilidade na e a partir da escola. No contexto da IV CNIJMA, os parâmetros inicialmente propostos para as escolas desenvolverem os seus projetos de sustentabilidade apontavam para três dimensões: - a dimensão do espaço físico, que refere-se a adequação dos espaços físicos das escolas aos padrões de ecoeficiência; - a dimensão da gestão, que diz respeito a adoção de processos participativos na gestão escolar; -e a dimensão do currículo, que significa a inclusão da pauta socioambiental na proposta político-pedagógica das escolas.

No entanto, para além desses parâmetros inicialmente propostos, as escolas deveriam considerar outras variáveis que entendessem pertinentes a partir das condições que as particularizam, assim como deveriam acolher nos seus projetos, a leitura das suas respectivas comunidades sobre os caminhos, as possibilidades, as perspectivas e os limites na concepção e implementação dos projetos.

Luciana Ribeiro – Avalie a construção de políticas públicas e a participação da comunidade escolar (diretor, coordenador pedagógico,professor, aluno, família, funcionários no geral ) durante a IV Conferência Nacional do Meio Ambiente Infanto Juvenil ocorrida no Brasil?

José Vicente de Freitas: Esta quarta edição da Conferência foi a que efetivamente alcançou maior escala, pois contou com a participação de quase vinte mil escolas. Um dos critérios para se viabilizar a participação da escola nesse processo, foi a constituição da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida), colegiado formado por alunos, profissionais da educação e comunidade do entorno, que assume a tarefa de animar e mobilizar os atores para o processo da Conferência, além de responsabilizar-se pela construção coletiva de respostas para o enfrentamento dos problemas socioambientais existentes na escola e no lugar onde ela está inserida. Por meio da atuação das Com-Vidas no contexto da IV CNIJMA, e mesmo por outras formas de envolvimento de pais de alunos, parentes e amigos, acompanhamos uma participação ativa da comunidade em todo território nacional. Os relatórios Pós-Conferência elaborados pelos Estados, os vídeos e fotografias nos dão a dimensão da participação da comunidade nesse processo. Aos leitores interessados em construir uma percepção mais ampla desse envolvimento comunitário, é possível visitar nossa página no Flickr, que disponibiliza um conjunto significativo de registros imagéticos produzidos, em todo o território nacional, na etapa escolar da CNIJMA (https://www.flickr.com/photos/ivcnijma/), ou acessando documentários locais/regionais, como o que foi editado pelo Núcleo de Educação Ambiental da 23ª Gerência Regional de Educação do Estado de Santa Catarina e disponibilizado no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=VwaXVH6RPKA). 

Em termos de construção de políticas públicas de educação ambiental, a nossa tarefa é gigantesca, pois a Lei 9.795/99 (Política Nacional de Educação Ambiental) define como responsabilidade do MEC o desenvolvimento de processos de educação ambiental em todos os níveis e modalidades de ensino, que representa uma escala com números impressionantes. A Coordenação-Geral de Educação Ambiental vem cumprindo esta tarefa com ações de formação continuada de educação ambiental para profissionais da educação, fomentando a participação e o envolvimento de jovens, por meio do apoio às ações dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente, com a produção de material didático-pedagógico, no apoio a eventos e com estratégias de mobilização em larga escala, como é o caso da própria Conferência. Nosso esforço, nesse momento, diz respeito à institucionalização do “Programa Nacional Escolas Sustentáveis”, por meio do qual buscamos a consolidação de uma política pública estruturante de educação ambiental de curto, médio e longo prazos, ação esta que prevê fluxos permanentes de financiamento, pactuação com os sistemas estaduais e municipais de ensino, ampliação do investimento na formação continuada dos profissionais da educação, assim como o fomento à formação inicial, entre outras iniciativas.

Luciana Ribeiro – Sabe-se das dificuldades que existem para implementar a sustentabilidade nas escolas brasileiras. Assim, quais as propostas pedagógicas que estão sendo viabilizadas para ensinar ao educador e ao educando as questões que envolvem os problemas das cidades locais?

José Vicente de Freitas: A educação ambiental no Brasil, no âmbito do ensino formal, é trabalhada tradicionalmente como tema transversal, concretizada por meio de diferentes estratégias. A EA, no entanto, é mais um entre tantos outros temas transversais que a escola tem que dar conta. Penso que algumas iniciativas deverão colaborar para que as escolas consolidem ações no campo da sustentabilidade. Uma forma de indução importante está relacionada à observância das escolas a um novo regramento aprovado em 2012, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental - DCNEA. Esse documento indica as premissas e parâmetros para o trabalho em torno deste tema. E uma Diretriz Curricular tem força de lei. Outro aspecto importante e que já vem estimulando o desenvolvimento de ações, diz respeito ao repasse de recursos para as escolas com o fim específico de auxiliar na concepção e implementação dos seus projetos de “Escolas Sustentáveis”, por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola. E por último, a institucionalização do “Programa Nacional Escolas Sustentáveis”, em fase validação, também deverá contribuir para que as escolas desenvolvam suas vivências pedagógicas cotidianas no campo da sustentabilidade.

Luciana Ribeiro – Poderia avaliar o perfil das escolas brasileiras e o que elas têm feito para reeducar a criança, o jovem e o adulto com relação aos assuntos voltados para a sustentabilidade brasileira?

José Vicente de Freitas: Considerando somente o sistema do ensino básico, contamos com aproximadamente 200 mil escolas no país. As experiências pedagógicas no campo da sustentabilidade vêm se constituindo das mais variadas formas. Na pesquisa intitulada “o que fazem as escolas que dizem que fazem educação ambiental”, realizada pelo MEC e publicada em 2007, é revelador o dado que aponta para o fato de que 90% das escolas que responderam ao questionário proposto, disseram que realizam “algum tipo de atividade” no campo da educação ambiental, com predominância para o trabalho com temas relacionados à reciclagem/resíduos. O nosso esforço, entretanto, é que as ações nessa área não sejam realizadas de forma pontual, por oportunidades, ou por ações motivadas pela comemoração/registro de uma data específica, como o “dia da árvore”, ou o dia do “meio ambiente”, mas que as escolas possam conceber e desencadear processos educativos que sejam permanentes, articulados e combinados, como forma de gerar espaços que sejam capazes de formar e proporcionar ao aluno o desenvolvimento da sua consciência socioambiental e, ao mesmo tempo, estimulá-lo ao protagonismo, à participação, ao exercício da cidadania.

Luciana Ribeiro- A sustentabilidade deve ser abordada de modo transversal nos cursos de Pedagogia ministrados no Brasil. Dessa forma, o que foi, de fato, acordado durante a IV Conferência Nacional Infanto Juvenil pelo Meio Ambiente?

José Vicente de Freitas: Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, no ensino superior, onde se inclui os cursos de pedagogia, os conhecimentos concernentes à Educação Ambiental nos currículos podem ocorrer pela transversalidade, mas também como conteúdo dos componentes já constantes do currículo, ou pela combinação de transversalidade e de tratamento nos componentes curriculares. Não obstante, admite-se, para a educação superior, outras formas de inserção da EA, inclusive como disciplina. E esta é uma decisão que, autonomamente, cabe a IES. No âmbito da IV CNIJMA, trabalhamos com o que dita os dispositivos presentes das DCNEA, ou seja, as três possibilidades acima mencionadas para o ensino superior e, para a educação básica, como não está contemplada a possibilidade de criação de disciplina, consideramos tão somente o trabalho da educação ambiental pela transversalidade, mediante temas relacionados com o meio ambiente e a sustentabilidade socioambiental, e como conteúdo dos componentes já presentes no currículo.

Luciana Ribeiro- Como a coordenação de educação ambiental do Ministério da Educação tem articulado, divulgado, e promovido as ações socioambientais que destacam o pedagogo e sua atuação em prol do meio ambiente, como, por exemplo, o que fazer para comunicar a importância da natureza por meio do Projeto Político Pedagógico (P.P.P) de cada escola brasileira?

José Vicente de Freitas: Este trabalho vem ocorrendo pela indução no reforço das ideias amalgamadas no texto das DCNEA, que aponta o compromisso da instituição educacional, o papel socioeducativo e ambiental como componentes integrantes dos projetos institucionais e pedagógicos da educação básica. Nesse sentido, nas nossas iniciativas, projetos e programas, estimulamos que todo o educador e educadora do ensino formal atue no contexto de um Projeto Político-Pedagógico que contemple a promoção dos valores de cooperação, de relações solidárias e de respeito ao meio ambiente.

Agora, se faz necessário dizer que na indução que buscamos promover, consideramos e respeitamos a autonomia da escola no seu fazer pedagógico, na forma de viver e experienciar as propostas contidas no seu respectivo PPP.

Luciana Ribeiro – Poderia citar alguns referenciais educativos que sirvam para ajudar o professor e o futuro pedagogo a trabalharem (livros, vídeos, documentários em geral) em prol de uma escola sustentável no Brasil?

José Vicente de Freitas: Abaixo, segue indicações de materiais impressos e de um vídeo que produzimos e distribuímos às todas as escolas do país que trabalham com o segundo ciclo do ensino fundamental, na forma de kit de material didático-pedagógico, para apoiar o trabalho educativo sobre o tema das escolas sustentáveis. Todos esses materiais estão disponíveis na web e podem ser acessados no seguinte endereço:

http://conferenciainfanto.mec.gov.br/index.php/Uncategorised/74-publicacoes
. Livro: Formando Com-Vida, Construindo Agenda 21 na Escola.
. Livro: Mudanças Ambientais Globais: Pensar + Agir na Escola e na Comunidade ( 4 volumes: Terra, Fogo, Água e Ar).
. Livro: Vamos Cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis (Educando-nos para Pensar e Agir em Tempos de Mudanças Socioambientais Globais).
. Vídeo: Com-Vídeo (Documentário sobre as Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas).

Luciana Ribeiro- Quais os cursos de formação continuada, oferecidos pelo Ministério da Educação, e que, de fato, podem melhorar a qualidade da educação brasileira, ou seja, o que tem sido planejado para ensinar conteúdos mais significativos, os quais possam ser dialogados com mais criticidade pelos educadores e pelos educandos?

José Vicente de Freitas: Os cursos no nível de aperfeiçoamento e especialização, na modalidade à distância, são ofertados por meio da Universidade Aberta do Brasil – UAB, e na modalidade presencial e semipresencial pela Rede Nacional de Formação Continuada de Professores do Magistério da Educação Básica – RENAFOR. São inúmeros os cursos que se enquadram nos termos desta pergunta, mas naturalmente vou indicar os 04 cursos de formação continuada oferecidos no campo da educação ambiental, em diferentes níveis, que são os seguintes: 1) Educação Ambiental com ênfase em Espaços Educadores Sustentáveis (Especialização); 2) Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e Com-Vida (Extensão); 3) Educação Ambiental: Dimensões da Sustentabilidade na Escola (Extensão); e 4) Educação Ambiental (Aperfeiçoamento). São cursos que oferecem aos profissionais da educação aportes importantes para discutir com criticidade não somente a promoção da cultura da sustentabilidade na escola, mas igualmente a promoção de valores, a inclusão e a diversidade. E hoje, a oferta da formação continuada obedece ao seguinte fluxo: as escolas apresentam por meio do PDE Interativo a demanda de formação para as Secretarias Municipais e Estaduais de Educação que as validam e encaminham ao Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente. O Fórum elabora o Plano Estratégico de Formação Docente e o encaminha ao Comitê Gestor da Rede Nacional de Formação (MEC), responsável pela sua aprovação e apoio financeiro.

Luciana Ribeiro – De que forma o PDDE Escola Sustentável foi e está sendo divulgado para as educadores brasileiros terem acesso aos recursos financeiros para desenvolver seus projetos socioambientais e beneficiar as escolas e suas cidades locais?

José Vicente de Freitas: O PDDE – Escolas Sustentáveis foi disponibilizado pela primeira vez em 2013. Para acessar os recursos disponíveis naquela oportunidade, as escolas realizaram o cadastro institucional no período de vigência da chamada pública e apresentaram os seus respectivos projetos de intervenção. A segunda edição, prevista para 2014, está atrelada a participação na IV CNIJMA, ou seja, as escolas que se envolveram no processo estão automaticamente aptas a captar o recurso. Entretanto, mesmo tendo realizado a Conferência, essas escolas terão que realizar o cadastro no sistema, em período ainda a ser definido, pois depende da finalização do processo de repaginação da plataforma de cadastro, em execução pelo nosso setor de desenvolvimento de tecnologia da informação.

Via de regra, quando abrimos uma nova chamada do PDDE, lançamos uma campanha de divulgação juntos aos sistemas municipais e estaduais de ensino. Uma maneira dos educadores estarem atualizados quanto as nossas chamadas públicas para destinação de recursos às escolas, é visitando com regularidade o site do MEC, onde todas as ações referentes às políticas públicas educacionais são disponibilizadas.

Luciana Ribeiro- De acordo com suas experiências realizadas no Brasil, por meio da educação ambiental, o que falta para termos um Brasil sustentável, ou seja, o que falta para termos cidadãos mais conscientes e protetores da natureza? Poderia citar algumas sugestões educativas a serem trabalhadas com a missão de reeducar olhares humanos para a preservação do planeta?

José Vicente de Freitas: Não tenho dúvida de que precisamos radicalizar quanto à ampliação dos espaços para viabilizar a formação não somente do aluno inserido no ensino formal, mas de todo o cidadão e cidadã, oportunizando-os ao desenvolvimento dos valores e atitudes que sejam capazes de fazer emergir um modelo civilizatório alicerçado na sustentabilidade de todas as dimensões da vida. E a construção dessa nova forma de ser e estar no mundo depende essencialmente de uma mudança em nós para que possa se concretizar numa mudança no mundo. A vontade política é igualmente importante, e significa uma pactuação coletiva como o caminho mais rápido para a construção de uma sociedade de direitos, ambientalmente justa e sustentável.

Luciana Ribeiro – Poderia deixar um recado especial para os educadores brasileiros?

José Vicente de Freitas: Uma das referências que tenho no campo da educação é um sujeito muito interessante chamado Martin Bubber. E gostaria de lançar mão de uma das suas ideias para deixar como uma inspiração para os educadores(as) brasileiros. Para ele, o processo educativo se concretiza na relação do Eu-Tu. Tratando e argumentando sobre esta questão, num determinado momento ele vai definir como um princípio a noção de que “toda vida verdadeira é encontro”.
Contatos para cursos/seminários/oficinas do DF: citar os principais.

Para falar com a Coordenação-Geral de Educação Ambiental do Ministério da Educação:

Telefone: (61) 20229192 / 20229197
E-mail: ea@mec.gov.br 

Obrigada pela colaboração educadora que enobrece a preservação do meio ambiente.

Fonte: www.ecopedagogia.blogspot.com/Jornal Meio Ambiente http://www.portaldomeioambiente.org.br/


Plataforma EducaRES reúne práticas para inspirar iniciativas envolvendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos


Plataforma Educares

Mais de 150 experiências sobre educação ambiental e comunicação social com resíduos sólidos estão disponíveis na plataforma virtual EducaRES. Essa nova ferramenta digital tem o objetivo de divulgar ações que ajudem a enfrentar os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) proporcionando aos gestores, catadores de material reciclável e cidadãos em geral, a oportunidade de buscar boas iniciativas de todas as regiões do país.

No ano passado, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou um edital público que selecionou 84 ações de referência. Foram escolhidas até 30 experiências de cada segmento (sociedade civil, poder público e setor privado). As práticas selecionadas foram reconhecidas como “Práticas de Referência EducaRES” e aparecerem de forma diferenciada na plataforma. As experiências selecionadas também serão recomendadas pelo Ministério do Meio Ambiente como referência para compor materiais pedagógicos e técnicos de publicações e processos formativos, presenciais ou a distância, produzidos pelos governos no âmbito federal, distrital, estadual e municipal.

Conheça a Plataforma EducaRes e inscreva sua prática.

Acesse http://educares.mma.gov.br/index.php/main


Fonte:http://www.mma.gov.br/


Ecopedagogia com Ana Folha e a Turma do Lixão






Descrição

*Oficinas verdes para ensinar o seguinte:

*Lançamento do livro infantil: Ana Folha e a Turma do Lixão: Vamos preservar nossas florestas;
*Proteção do verde/florestas e o cerrado brasileiro;
*Reciclagem dos resíduos sólidos (papel, plástico,alimento etc);
*Ecologia humana - hábitos sustentáveis, como a economia de água, energia etc;
*Inclusão escolar/Combater o bullying e outros assuntos baseados na ecologia humana. 

Link De Fonte De Notícias

http://ecopedagogia.bio.br/ 


Dados Adicionais
Nome da instituição proponente: Microempreendedor Individual/SEBRAE

CNPJ: 16621964000131
Natureza da instituição:: Sociedade Civil
Endereço da instituição: QND 52 CASA 11
Nome do representante legal: Luciana Alves Ribeiro de Carvalho
Equipe: Luciana Alves Ribeiro de Carvalho- 1 pessoa
Contatos da instituição: 6133545223/85926436
Nome do responsável: Luciana Alves Ribeiro de Carvalho
Coordenador: Luciana Alve Ribeiro de Carvalho
Organizador da experiência: Luciana Alves Ribeiro de Carvalho
E-mail do responsável pela experiência: anafolha1@gmail.com
Principais resultados obtidos: *Conscientização ambiental/entre alunos e professores/comunidades do DF e fora dele/Outras regiões do Brasil.
O que motivou a iniciativa: *Trabalho - sobrevivência e visão socioambiental - mudança de valores sociais.
Desafios enfrentados: *Desconhecimento dos problemas e das soluções educativas para o dia a dia do cidadão/ou seja, resolver ou implementar a coleta seletiva de modo ético e cidadão nas cidades brasileiras. *Criar estratégias educativas para alcançar os alunos e professores - ou seja, propiciar o envolvimento deles com as questões ambientais no Brasil. *
Lições aprendidas e recomendações: *Conscientizar as crianças e adultos e crianças é fundamental para ajudar o planeta Terra.
Instituição realizadora: Luciana Alves Ribeiro de Carvalho
Equipe técnica: Não tem!
Instituições parceiras (se houver): *Escola da Natureza de Brasília/DF
Áreas de atuação da prática: Educação Ambiental
Telefone: 6133545223

Email: anafolha1@gmail.com


Fonte: http://educares.mma.gov.br/ 



[Você no Ideias] Ecopostila: um novo olhar pedagógico nas escolas



Postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Segunda-feira, 18 de Maio de 2015
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Ontem, dia 17 de maio, foi comemorado o Dia Mundial da Reciclagem.

Pensando nisso a equipe do Ideias na Mesa traz o relato da experiência da Ecopostila, projeto formalizado pelo SEBRAE e desenvolvido no Distrito Federal pela equipe de ambientalistas: Edson Silva, Luciana Ribeiro e com as ilustrações de Juliana Ribeiro.
A Ecopostila propõe a construção de um novo olhar pedagógico na comunidade escolar e incentiva a socialização e a comunicação das crianças com assuntos relacionados à alimentação saudável, como combater a obesidade, hipertensão, sobre os danos provocados pelo consumo de alimentos industrializados, sustentabilidade, entre outros.
Dessa forma, a ecopostila procura ajudar @s professor@s e educador@s na elaboração de atividades lúdicas e artísticas como piqueniques, caminhadas ecológicas, dinâmicas em grupo, além de atividades educativas com hortas, compostagem e reciclagem de resíduos sólidos e orgânicos. 
  
Link/Ecoapostila: IDEIAS NA MESA/UNB
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Você no Ideias na Mesa!

Em 2015 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Luciana Ribeiro, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!






Reportagem: Ana Folha e o canal NBR – TV do Governo Federal


Reportagem: Ana Folha e o  canal NBR – TV do Governo Federal



O evento que foi divulgado pelo Canal NBR/ TV do Governo Federal no dia 17 de janeiro de 2015 na Livraria Leitura de Taguatinga foi interessante para enriquecer conhecimentos inerentes à sustentabilidade que é aplicada dentro e fora do contexto escolar.

Tive a imensa honra e o prazer educacional de participar do evento pedagógico, por meio da contação de história com Ana Folha e a Turma do Lixão – abordando a importância da educação ambiental para as escolas brasileiras.

Links da reportagem: canal NBR – TV do Governo Federal



Plataforma virtual divulga práticas de educação ambiental:






O livro “Encontros e Caminhos”, o Ministério do Meio Ambiente e suas perspectivas por um mundo melhor



Por Luciana Ribeiro


Data: 25/02/2014


Fotos/Créditos: Pedro Rodrigues de Carvalho



Nilo Diniz, Diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente

Renata Rezende Maranhão, a gerente de Projetos de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente
Nadja Janke- Analista Ambiental e Luciana Ribeiro/Pedagoga e Educadora Ambiental





Para difundir a importância da educação ambiental no Brasil, o órgão gestor da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), composto pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), e com o apoio da Itaipu Binacional, promoveram o lançamento do livro “Encontros e Caminhos” – Volume 3, em Brasília, no mês de fevereiro, direcionado para os educadores socializarem experiências pedagógicas com Ladislau Dowbor, Gloria Maria Vargas, Carlos Frederico B.Loureiro e outros autores e profissionais convidados para escrever sobre a implementação de projetos socioambientais que geraram frutos pedagógicos para as cidades brasileiras.



O evento contou com a participação educadora de Lêda BhadraBevilacqua- Diretora da Escola da Natureza –contou, ainda, com a equipe de professores, com Maria Abadia C. Barberato,etc. reafirmando a necessidade de mobilizarmos ações que dignificam a vida no planeta Terra.



Segue as fotos:



1ª foto: Lêda Bhadra Bevilacqua- Diretora da Escola da Natureza/Maria Abadia C. Barberato/




2ª foto: Leonardo Boff - Luciana Ribeiro




3ª foto: Lêda Bhadra Bevilacqua - e equipe de trabalho - Luciana Ribeiro



  
Ficamos orgulhosos por ouvir boas recomendações cidadãs de Leonardo Boff, que ressaltou o papel da educação brasileira, a qual pode e deve comunicar os anseios pedagógicos que exaltam os direitos humanos e os direitos da Terra e, sobretudo, levou-nos a ecopercebermos o quanto negligenciamos a resolução dos problemas ambientais que afetam a qualidade de vida do cidadão brasileiro. Neste sentido, considerou a relevância das ações que cultivam “um novo começo”, “uma nova mente” e um “novo coração” para ajudarmos a natureza com mais amor e com mais compromisso pedagógico.


Para compartilhar conhecimentos socioambientais que auxiliam as faculdades e universidades brasileiras, questionei a Renata Rezende Maranhão, a gerente de Projetos de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, sobre a produção do livro, que segundo ela, teve o propósito educador de agregar diversos conceitos que fomentam a prática da educação ambiental no Brasil, intensificando-se o debate das perspectivas pedagógicas por um mundo mais sustentável.



Para reiterar e compreender os propósitos educadores, viabilizados pelo evento acadêmico, dialoguei com,Nilo Diniz, Diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, que ressaltou a importância do trabalho pedagógico que de fato, vislumbrou a discussão da diversidade vinculada as experiências práticas e das metodologias educativas, que visam a formação dos educadores de todo o país, as quais colaboram para o fortalecimento das políticas públicas voltadas para a educação ambiental no Brasil.




Com muita honra e alegria, convidei Leonardo Boff, que nos prestigiou com seu depoimento especial, dizendo-nos a seguinte consideração educadora: “O evento sobre a educação ecológica e meio ambiente mostrou-nos a urgência de recriarmos a educação face à situação de risco da Terra: especialmente a ética do cuidado e da responsabilidade por tudo que existe e vive!”Assinado: Leonardo Boff



E para auxiliarmos o cumprimento dessa bonita missão ecológica, recomendada pelo Órgão Gestor de Educação Ambiental (MEC E MMA) e por todos os participantes que compuseram e estiveram presentes no evento acadêmico, o Site Ecopedagogia sorteará um exemplar do livro “Encontros e Caminhos” – Volume 3 para os cidadãos leitores que escreverem um depoimento que aborda o papel da educação ambiental no Brasil.




Prezado Amigo (a) da natureza, 



O depoimento poderá ser feito na página Ecopedagogia:

https://www.facebook.com/pages/Ecopedagogia/232038720224765?ref=hl
O depoimento mais explicativo e mais fundamentado na necessidade de realizarem-se projetos voltados para a cidadania ambiental no Brasil será selecionado ou sorteado no final do mês de maio. (os depoimentos deverão ser feitos de modo ético e cidadão!)




Lembrete: O Livro “Encontro e Caminhos” encontra-se na versão/PDF no site do MMA:Volumes 1/2/3 -- MMA/Publicações









Obrigada pela participação educadora e ajude-nos na missão de apregoar e democratizar a educação ambiental no Brasil!


Fonte: Jornal Meio Ambiente

A vovó Julieta e a educação ambiental no Brasil




Por Luciana Ribeiro
A democratização da Educação Ambiental no Brasil é um dos grandes desafios a serem enfrentados pelos governantes que coordenam as políticas públicas voltadas para a preservação do meio ambiente (Vilmar Berna aborda as dificuldades para se reconhecer a mídia ambiental como instrumento indispensável para polemizar questões ambientais/ Leia: http://jornalismoambiental.org.br/1161/democratizacao-da-informacao-ambiental-e-fundamental.html); portanto ressalto a ineficiência dos serviços prestados que deixam de atender ao cidadão, por meio de uma gestão integrada, a qual gerencia propostas, trabalhos e projetos educativos que viabilizem a economia de água, energia,o reaproveitamento de resíduos sólidos (plástico, papel, vidro, etc.) para trazer qualidade de vida para nossas cidades.
Como educadora e proponente de um novo repensar político e pedagógico, convidei minha avó Julieta, uma mulher guerreira, mineira, cidadã de 87 anos, contribuinte, que teve a honra de aprender a ler e a escrever em apenas 47 dias de aulas numa fazenda localizada em Santa Maria/MG. Toda essa trajetória de vida foi motivo de curiosidade para dialogarmos sobre os problemas socioambientais que assolam o planeta Terra. Esse diálogo familiar foi bastante produtivo e ajudou-me a perceber a relevância da educação ambiental que deve ser ensinada para as pessoas que não tiveram e continuam sem acesso ao ensino formal como deveria; saliento também que essa perspectiva educacional foi e é assegurada pela Constituição Federal e pela Legislação Ambiental no Brasil.

Iniciamos o bate-papo sobre as questões ambientais que afetam o homem, e a vovó, ao ser questionada, de fato, reconheceu a pobreza e a violência social como sendo um dos maiores vilões do planeta Terra, e claro, o homem é e faz parte do meio ambiente, por isso, tornando-se um dos reféns desses acontecimentos; E, nesse sentido, ela destacou também as enchentes de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, como sendo um dos desastres ecológicos que mais ferem os direitos humanos e os direitos da Terra.

Conversamos sobre o consumo desenfreado, desencadeado pelos dias atuais, e a vovó verificou a gravidade do acúmulo de resíduos sólidos descartados de qualquer forma nas cidades brasileiras,constatando o conforto material referente às máquinas de lavar roupa, carros bonitos, etc. que utilizamos para o nosso dia-a-dia, como sendo uma agravante que propicia a despreocupação, a falta de zelo e a ignorância frente aos problemas (desmatamentos, poluição do ar, da água, etc.) que ocorrem no meio ambiente por falta de justiça ambiental.

Apesar das dificuldades e barreiras que comprometem a comunicação ambiental para os cidadãos brasileiros, como, por exemplo, ter acesso às visitas dos agentes ambientais para receber os folhetos, os jornais, e informativos apropriados para tratar de temas como a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, a economia de água, a economia de energia, etc. a vovó Julieta sente-se motivada e feliz em doar, há mais de 40 anos,seus restos de papéis, suas garrafas de plásticos, suas caixas de papelão para os catadores que sobrevivem dessa atividade como meio de vida social; inclusive, foi gratificante reconhecer esse trabalho de formiguinha que pode e deve ser feito por todo cidadão brasileiro.

A diálogo com a vovó Julieta teve o propósito de gerar conhecimentos pedagógicos para área de educação ambiental,a qual deve ser discutida e implementada junto às universidades e faculdades brasileiras; entretanto considero sua vasta experiência um caso político a ser estudado e ouvido pelo órgão gestor da educação ambiental ( Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Educação) e por todas as instituições que prestam serviços sociais e ambientais para cidadão brasileiro.

Meditando nessa missão de contrariar o capitalismo perverso, confio no potencial dos órgãos públicos e de suas pesquisas que atestam o valor da educação ambiental para o campo acadêmico e para o cidadão brasileiro, por isso desejo que os profissionais diversos e os governantes reúnam recursos financeiros e os compromissos de trabalhos para dar continuidade ao fortalecimento das políticas que carecem ser apercebidas, criticadas, compartilhadas e construídas por todos nós.


Fonte: Jornal Meio Ambiente/Rebia





A criança e a regulamentação da publicidade infantil no Brasil

 

 Data: 01/03/2015
Por Luciana Ribeiro - fundadora do site ecopedagogia

Entrevista respondida pela advogada Ekaterine Karageorgiadis, do Instituto Alana

Instituto Alana é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, criada em 1994, a qual direciona projetos educativos, como o Projeto Criança e Consumo, que protege os direitos infantis contra os abusos da publicidade infantil; além disso, administra diversas propostas pedagógicas, como coordenar pesquisas acadêmicas que auxiliam o educador e sua família na compreensão dos problemas que ignoram os direitos humanos e os direitos da Terra.

Com muita honra acadêmica e pedagógica, convidei a equipe que coordena a instituição para dialogarmos sobre as discussões políticas no Brasil que envolvem o poder público, as famílias, os cidadãos em geral e os órgãos que defendem a regularização da publicidade infantil de maneira ética e cidadã. Segue a entrevista publicada no site ecopedagogia:






Luciana Ribeiro- Fale sobre o histórico do Instituto Alana e como foi iniciada sua luta política desde 1994 para socializar questões referentes aos abusos da publicidade infantil no Brasil. Mencione os principais resultados desse trabalho árduo, pedagógico e digno de ser debatido pelos pedagogos e pelos cidadãos brasileiros.

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne projetos na busca pela garantia de condições para a vivência da plena infância. Criado em 2002, o Instituto conta hoje com sete projetos próprios e quatro com parceiros e é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. O Alana tem como missão “honrar a criança”.
Um dos projetos do Instituto é o Criança e Consumo (CC), que teve início em 2006 e que tem como objetivo divulgar e debater ideias sobre as questões relacionadas à publicidade de produtos e serviços dirigida às crianças, assim entendidas as pessoas de até 12 anos de idade, bem como apontar meios de minimizar e prevenir os prejuízos decorrentes dessa comunicação mercadológica.

O projeto é multidisciplinar e atua em diferentes áreas, notadamente, no âmbito jurídico, de pesquisa, educação e de advocacy, influenciando a formulação e execução de políticas públicas sobre o tema do consumismo e dos malefícios do direcionamento da publicidade e da comunicação mercadológica voltadas ao público infantil; realizando denúncias jurídicas a órgãos como Ministério Público, Defensoria Pública e Procons de todos o país, bem como ao Ministério da Justiça e promovendo o conhecimento sobre tais questões.

O CC tem como missão promover a conscientização e a defesa dos direitos da criança frente à comunicação mercadológica. Como visão: ser reconhecido como um trabalho de excelência na articulação junto aos agentes e setores envolvidos na cadeia de produção e distribuição de bens e serviços cuja comunicação mercadológica seja voltada às crianças, para que adotem práticas que minimizem os impactos nocivos do ‘consumismo’ na infância. Seus valores incluem a ética, transparência, respeito, cooperação e comprometimento.

Você poderá ter mais informações em: http://criancaeconsumo.org.br

Luciana Ribeiro- Quais são os principais problemas provocados pela publicidade infantil no Brasil? De que forma pedagógica o Instituto Alana organiza-se para combatê-los juntos com os educadores, as crianças e as famílias brasileiras?

O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou uma das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconsequente.

As crianças, que vivenciam uma fase de peculiar desenvolvimento e, portanto, são mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves consequências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.

De pais e educadores a agentes do mercado global, todos voltam os olhares para a infância. Para o mercado, antes de tudo, a criança é um consumidor em formação, consumidor de hoje e do amanhã, e uma poderosa influência nos processos de escolha de produtos ou serviços.

As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). No Brasil, a publicidade na TV é a principal ferramenta para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente preparado para isso.

As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes é praticamente imposto.

No meio publicitário, nada é deliberado sem um estudo detalhado. Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis foram de R$ 209 milhões (Ibope Monitor, 2005x2006, categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados também aos adultos.

O Ibope Mídia, que anualmente divulga os dados de investimento publicitário no Brasil, constatou que foram movimentados cerca de R$ 112 bilhões em 2013 com publicidade. A televisão permanece a principal mídia utilizada pela publicidade, representando 70% do investimento. Ao cruzar essa informação com o fato de a criança brasileira passar em média cinco horas 22 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, Ibope 2012) é possível imaginar o impacto da publicidade na infância.

Apesar de toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também foi identificada como uma forte influência.

No âmbito da alimentação, a publicidade é um fator que estimula a disseminação da maior epidemia infantil da história: a obesidade. A pesquisa Targeting Children With Treats (Alvejando crianças com guloseimas, em livre tradução do inglês) de 2013 aponta que as crianças que já têm sobrepeso aumentam em 134% o consumo de alimentos com altos teores de sódio, gorduras trans e saturadas e açúcar, quando expostas à publicidade destes produtos.

O consumismo está relacionado à ideia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e frequentes, é porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.

Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto, é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de forma inconsequente e desenvolvem critérios e valores distorcidos são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.

O Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, combate qualquer tipo de comunicação mercadológica dirigida às crianças por entender que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.

Entre 2010 e 2012, o projeto manteve um blog, com o objetivo de discutir os principais impactos do consumismo e da publicidade na formação da infância. Nele há diversos textos sobre cidadania e mobilização, comportamento, política e legislação, saúde e sustentabilidade.

Luciana Ribeiro- A coordenação do Instituto Alana poderia recomendar alguns livros e documentários referentes à publicidade infantil para serem divulgados para os pedagogos e famílias brasileiras? Eles têm sido socializados nas escolas e universidades brasileiras?Como?

Aqui você irá encontrar publicações e vídeos: http://criancaeconsumo.org.br/publicacoes/

Seria importante também vocês conhecerem três longa-metragens da produtora parceira do Alana, a Maria Farinha Filmes. São eles (também estão no site: http://criancaeconsumo.org.br/videos/): 

Luciana Ribeiro- Como o Congresso Nacional de Brasília vê e atua referente à questão que aborda a regularização da publicidade infantil no Brasil?De que modo político as empresas e as agências de publicidade são ouvidas e repreendidas pelo poder público sobre esse assunto polêmico e de difícil consenso?

No dia 4 de abril de 2014 foi publicada no Diário Oficial da União a Resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que considera abusivo o direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança (ou seja, pessoa de até 12 anos de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA). Com a Resolução, fica proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchandising, ações em shows e apresentações e nos pontos de venda. O texto versa também sobre a abusividade de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e escolas de educação infantil e fundamental, inclusive nos uniformes escolares e materiais didáticos. Para o Conanda, principal órgão do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, a publicidade infantil fere o que está previsto na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código de Defesa do Consumidor (CDC). A Resolução 163 se soma às leis já existentes para declarar a ilegalidade da publicidade infantil. A Lei 8.078 de 1990, Código de Defesa do Consumidor (CDC), proíbe toda a publicidade abusiva em seu art. 37. A Resolução, por sua vez, define que é abusivo o direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e traz exemplos dessas estratégias. Cabe às empresas respeitarem os direitos da criança e aos aplicadores da lei fiscalizarem as ilegalidades, inclusive se valendo das sanções previstas no CDC.

O desenvolvimento de ações de marketing em ambiente escolar deve ser objeto de especial atenção. Crianças são extremamente vulneráveis a campanhas de marketing, particularmente quando estas são realizadas em seu ambiente escolar. Até completar 12 anos de idade, não têm ainda plena compreensão das diferenças, eventualmente sutis mesmo aos adultos, entre publicidade comercial e intervenções com fins didático-pedagógicos. Em virtude disso, chamam a atenção as inserções de elementos associados a marcas, tais como cartazes e placas com logos, em ações promovidas pelas empresas dentro das escolas. A escola é um espaço privilegiado para a formação de valores, a conformação de aspectos mais ou menos permanentes da personalidade que individualizam os pequenos em desenvolvimento, a criação de desejos, entre outros. O anúncio de produtos e marcas em ambiente escolar pode sinalizar mensagem implícita aos alunos de que a própria escola – bem como seus professores – apoia a empresa anunciante ou o consumo do produto ou serviço anunciado.

Luciana Ribeiro- Quais os principais projetos educativos promovidos pelo Instituto Alana no Brasil, como por exemplo, a Feira de Troca de Brinquedos que acontece no Dia da Criança? Os educadores e famílias podem participar desse processo? De que forma?

As Feiras de Troca de Brinquedos são uma maneira de repensar a forma como consumimos, envolvendo adultos e crianças. O Instituto Alana acredita nessa iniciativa e busca oferecer as ferramentas necessárias para que as pessoas realizem seus próprios eventos. As feiras são organizadas por quem acredita na importância de refletir sobre o consumo. Não é preciso uma organização ou instituição, qualquer cidadão pode fazer uma feira de forma autônoma. Para organizar uma feira basta seguir este passo a passo:http://feiradetrocas.com.br/organize-a-sua/






Luciana Ribeiro- O Ministério da Educação (MEC) realiza algum trabalho junto ao Instituto Alana para combater os abusos da publicidade infantil, ou seja, realiza-se algum trabalho para debater essa temática com os educadores brasileiros? De que maneira pedagógica? O cidadão que não tem acesso ao ensino formal pode participar desse processo de mudança?

O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), elaborou uma Nota Técnica visando a implementação da Resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) - que considera abusiva a publicidade e a comunicação mercadológica dirigidas às crianças - em todas as unidades escolares das redes municipais e estaduais de ensino.
A Resolução 163, em seu art. 2º, § 3º, considera abusivas "a publicidade e a comunicação mercadológica no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos".
Nesta Nota Técnica, divulgada por ofício aos secretários estaduais e municipais de educação, o MEC afirma que o espaço escolar é destinado à formação integral das crianças e dos adolescentes não devendo, portanto, permitir sua utilização para a promoção e veiculação de publicidade e de comunicação e de comunicação mercadológica de produtos e serviços, seja ela direta ou indireta (por meio de apresentações, jogos, atividades, brincadeiras promocionais patrocinadas por empresas que tenham algum tipo de aparente proposta educacional).

A questão da publicidade infantil é tão pungente, que chegou a ser tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): “Publicidade infantil em questão no Brasil”.

Até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um relatório sobre o impacto do marketing nos direitos culturais – e no qual o Instituto Alana é citado duas vezes – em que afirma que devem ser proibidas todas as formas de publicidade para crianças com menos de 12 anos, independentemente do meio de veiculação. O texto diz ainda que deve-se pensar na extensão da proibição para menores de 16 anos. Para a ONU, as marcas deveriam, inclusive, parar de usar embaixadores para seus produtos. Além de combater a publicidade voltada para as crianças, o documento prega que toda a publicidade comercial e estratégias de marketing deve ser proibida em escolas públicas e privadas, que têm que garantir que os currículos sejam independentes dos interesses comerciais.

Luciana Ribeiro- Poderia mencionar quais os órgãos que cooperam para regularizar a publicidade infantil no Brasil?De que modo político os trabalhos estão sendo feitos junto com o poder público de Brasília e do Brasil? O cidadão pode acessá-los de que forma?

Publicada no Diário Oficial da União no dia 4 de abril de 2014, a resolução 163 do Conselho Nacional do Direito das Crianças e Adolescentes (Conanda) clarifica o que é a abusividade prevista no artigo 37, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que proíbe a publicidade que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança. Ela define como abusiva, com base no CDC, toda a publicidade e comunicação mercadológica direcionada à criança com a intenção de persuadi-la para a compra de um produto ou serviço.

Essa comunicação pode estar presente na televisão, rádio, internet, espaços públicos, pontos de venda e até mesmo na escola. É importante identificar onde o mercado está atuando e quem são as empresas que insistem em incorrer nesta prática ilegal. O texto completo(http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=4&data=04/04/2014) diz que “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço” é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.

A resolução lista os seguintes aspectos que caracterizam a abusividade: linguagem infantil, efeitos especiais e excessos de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.
Com a Resolução, fica proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchadisings, ações em shows e apresentações e nos pontos de venda.
O texto versa também sobre a abusividade de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e escolas de educação infantil e fundamental, inclusive nos uniformes escolares e materiais didáticos.
O Conanda é composto por entidades da sociedade civil e ministérios do governo federal. Para ele, a publicidade infantil fere o que está previsto na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor.

O Instituto Alana integra o Conanda, na condição de suplente, e contribuiu junto aos demais conselheiros na elaboração e aprovação desse texto.

A comunicação mercadológica direcionada à criança é abusiva e, portanto, ilegal, a partir de uma interpretação sistemática do artigo 227 da Constituição Federal, do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Mas, na prática, o público infantil continua sendo alvo de ações publicitárias, o que vem mobilizando a sociedade para reforçar e fazer cumprir a legislação de proteção à infância no que se refere ao conteúdo exibido pela mídia no âmbito da publicidade comercial.

Veja aqui o infográfico que resume e orienta na questão da publicidade infantil:

Os cidadãos têm pleno direito de reclamar das violações aos direitos da criança, como a publicidade abusiva, aos órgãos fiscalizadores da lei, como Procons, Ministério Público, Defensoria Pública, Ministério da Justiça, além do Poder Judiciário. Cada um desses órgãos têm sua atribuição, e podem aplicar multas, celebrar termos de ajustamento de conduta, propor ações judicias.
Cabe ainda falar do Projeto Prioridade Absoluta, criado para dar visibilidade e contribuir para a eficácia do artigo 227 da Constituição Federal, que coloca as crianças em primeiro lugar nos planos e preocupações da nação e cuja missão é informar, sensibilizar e mobilizar as pessoas, especialmente os operadores do direito, para que sejam defensoras e promotoras dos direitos das crianças nas suas comunidades, com prioridade absoluta. Especificamente com relaçao à publicidade infantil, há modelos que podem ser utilizados.


Luciana Ribeiro- Fale sobre as perspectivas políticas e resultados do movimento AnunciaPraMim coordenado pelo Instituto Alana e pelos parceiros que apoiam a regularização da publicidade infantil no Brasil.

Partindo, então, de que a publicidade dirigida às crianças é ilegal, o Instituto Alana lançou em outubro de 2014 a campanha Anuncia Pra Mim, pelo projeto Criança e Consumo, em que bastava acessar o hotsite www.anunciapramim.com, informar nome e email (que não será divulgado), e dizer qual empresa a pessoa flagrou agindo contra a lei. Os dados serviram de base para uma carta, que foi encaminhada para a empresa citada, solicitando que ela pare com a ilegalidade das mensagens publicitárias e passe a dirigir sua comunicação aos adultos.
A carta também pedia para que a empresa assuma a vanguarda na construção de práticas institucionais verdadeiramente sintonizadas com a ideia de garantir uma infância plena. Do lado direito da página, os internautas poderão acompanhar quais empresas estão recebendo a maior quantidade de cartas.
A campanha teve parceria de outras entidades, como Greenpeace e o próprio Conanda, Akatu, Idec, Proteste, ACT+, Milc (Movimento Infância Livre de Consumismo), Rebrinc (Rede Brasileira Infância e Consumo), Conectas Direitos Humanos e Intervozes também apoiam a ação, reforçando que é necessário efetivar as leis já existentes. Isso permite que a sociedade compreenda melhor que pode reclamar aos anunciantes sobre as publicidades que eles fazem, além de reclamar aos órgãos do poder público as violações à lei.
Luciana Ribeiro- Deixe um depoimento que mobilize boas ações políticas e amorosas entre as escolas e os lares brasileiros.

A criança deve vir sempre em primeiro lugar, como versa . o artigo 227 da Constituição Federal, que a coloca na prioridade nos planos e preocupações da nação. Esta prioridade deve ser absoluta e, portanto respeitada. A criança está em peculiar processo de desenvolvimento bio-psicologica, deve ser cuidada para se desenvolver plenamente, com liberdade, sem consumismo, e com espaço. Neste sentido, políticas públicas são necessárias, efetivação das leis e cuidados familiares e escolares. Escola tem assumir o seu papel, e ser um espaço livre de interferência comercial.

Sobre o Instituto Alana

O Instituto Alana é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que reúne projetos na busca pela garantia de condições para a vivência da plena infância. Criado em 2002, o Instituto conta hoje com sete projetos próprios e quatro com parceiros e é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013. Tem como missão “honrar a criança”.

Informações para a imprensa
2PRÓ Comunicação 
alana@2pro.com.br 

Myrian Vallone 
Anne Dias
Paula Teles
Mércia Araújo
Tels. (11) 3030.9461 / 9460 / 9464 / 9435 
Fevereiro/2015

Fonte: Site ecopedagogia/Luciana Ribeiro



Data: 08/12/2014
Créditos: Evando F. Lopes
Por Luciana Ribeiro

O papagaio Galego exprime um canto repetido naturalmente, posiciona-se com amor, sabedoria, curiosidade, inteligência e bom-humor. O animal compõe a fauna da Estação Ecológica de Águas Emendadas, sendo uma área rica em biodiversidade, a qual carece de sustentabilidade, para doar vida
para o cidadão que precisa “ecoagir” com amor, nobreza, liberdade, esperança e responsabilidade socioambiental e, de fato, solidificar a incumbência educadora que recebeu de Deus: manter a qualidade de vida por meio de um ciclo justo e solidário.
Reavaliando o poder da biodiversidade representada pelos recursos naturais da Terra, acredito que o Jornalismo Ambiental possa ser um instrumento de diálogo que comunique constantemente com as necessidades diárias dos cidadãos, como comer, beber e vestir-se com qualidade de vida, as quais podem ser discutidas por meio das reportagens nas tevês e rádios brasileiros; ou seja, poder-se-ia ter um espaço maior e mais reservado para cumprirem com tal propósito pedagógico, como faz o papagaio verde e amarelo que nos ensina assiduamente, por meio do seu papel ambiental: lançar as sementes do amor, da igualdade, da abundância e da sustentabilidade que mantém o planeta Terra; afinal, esse trabalho precisa ser bem comunicado e compartilhado entre os gestores públicos (prefeito, senador, deputado) e com os cidadãos brasileiros que precisam executar e participarem de projetos amparados por uma ciência inovadora, tecnológica e política.
Até quando vamos ceder o espaço jornalístico de modo integral, para divulgarmos nas televisões e nos rádios brasileiros somente o ataque e a morte de cidadãos causados por violências sociais, doenças, desastres socioambientais e tantos outros, desarticulados de soluções emergentes que visam rever e garantir os direitos humanos e os direitos da Terra?
Acredito que podemos articular a divulgação de pesquisas e conhecimentos que trazem bons exemplos e estão sendo implementados nas cidades brasileiras, cito a cidade de Curitiba, que tem buscado priorizar a sustentabilidade no dia a dia, como no transporte, na reciclagem dos resíduos sólidos, no plantio de hortas e outros que carecem de ser conhecidos e apreciados pelos cidadãos em geral – é um modo de provar que a sustentabilidade é possível, mesmo diante de problemas graves e complexos que interferem na saúde do planeta Terra.
Diante de tantos desafios políticos, eu não poderia deixar de mencionar o curso de Jornalismo que foi agraciado ou redimensionado recentemente pelo Ministério da Educação, com as novas diretrizes curriculares que exigem o debate das questões ambientais no Brasil, uma base imprescindível para confrontarmos e compactarmos conhecimentos que valorizam a cidadania ambiental no Brasil, divulgando-se com transparência os problemas e as soluções ambientais (tecnologia oriunda das energias alternativas e outros que já existem para nos ajudar no dia a dia).
De acordo com André Trigueiro, o “jornalista não pode ser um analfabeto ambiental” – é uma questão nobre que precisa ser repensada por nós, cidadãos, e pelo poder público e pela mídia em geral que precisam cumprir suas metas e desafios socioambientais para beneficiar e enriquecer a cultura sustentável do nosso Brasil.

Indico alguns links para os universitários e cidadãos brasileiros terem acesso a estudos que dignificam a sustentabilidade do planeta Terra :

O jornalista não pode ser um analfabeto ambiental - Por André Trigueiro
http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/andre-trigueiro/2013/10/27/O-JORNALISTA-NAO-PODE-SER-UM-ANALFABETO-AMBIENTAL.htm
Conheça o papagaio galego:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/biodiversidade/especie_do_mes/especies_cerrado/papagaio_galego/
Facebook: Fotos/Evando F.Lopes
https://www.facebook.com/aguasemendadas?fref=ts
http://www.escritorvilmarberna.com.br/
http://cbn.globoradio.globo.com/comentarista: André Trigueiro
http://www.mundosustentavel.com.br
http://www.portaldomeioambiente.org.br
http://vimeo.com/tag:momentoambiental
http://pensareco.blogspot.com.br
http://www.apoema.com.br
http://www.cidadessustentaveis.org.br

Fonte: http://www.portaldomeioambiente.org.br/




Entrevista com patrícia guarnieri sobre a Logística Reversa


Data: 12/11/2012
Por Luciana Ribeiro

Logística Reversa

Benefícios para o cidadão e para o meio ambiente

Implementar a logística reversa nas cidades brasileiras é um  desafio atual que está sendo discutido  pelos  governantes e especialistas da área de educação ambiental do Brasil; neste sentido, o  assunto precisa ser divulgado para  escolas,  lares, mercados, padarias, empresas e outros estabelecimentos brasileiros.

E , para  divulgar esclarecimentos inerentes à coleta e ao tratamento dos resíduos sólidos (papel, plástico, metal,restos de alimentos) para educadores e comunidades de Brasília, convidei Patrícia Guarnieri - Professora e Pesquisadora da UnB - para prestar informações discutidas no campo acadêmico e político do Brasil.

Segue a entrevista:

Luciana Ribeiro - Explique o conceito de Logística Reversa. Quais seus benefícios para o cidadão e para o meio ambiente?

Patrícia Guarnieri:
 A logística reversa é processo de planejamento, implementação e controle do fluxo dos resíduos de pós-consumo e pós-venda do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado. Desta forma, contribuindo para a consolidação do conceito de sustentabilidade no ambiente empresarial, apoiada nos conceitos de desenvolvimento ambiental, social e econômico.

Luciana Ribeiro - Segundo as informações divulgadas na mídia geral (Televisão/rádio/internet), os lixões serão desativados em 2014. Nesta perspectiva, como você analisa o Brasil e suas condições tecnológicas inerentes à maquinaria, às ferramentas e aos profissionais especializados para realizar o processo de coleta, separação e tratamento de resíduos sólidos (plásticos, metais, papéis e outros) para se implementar  a logística reversa nas cidades brasileiras?

Patrícia Guarnieri: Deve-se investir mais nas cooperativas de catadores, tanto em equipamentos para manuseio, e triagem, como também em treinamentos e cursos destinados aos catadores a fim de prepará-los adequadamente para lidar como todo o montante de resíduos que será encaminhado às cooperativas. O CEMPRE está com um modelo de logística reversa único para todas as empresas, o qual prevê investimentos de R$70 milhões a serem investidos nas cooperativas para viabilizar o retorno dos resíduos e seu reaproveitamento.

Luciana Ribeiro - Existe algum Programa de Governo para divulgar a importância da logística reversa para as escolas, lares, padarias, mercados e outros espaços de convivência social?

Patrícia Guarnieri: 
Existe um projeto de educação ambiental relativo à PNRS, chamada “Separe o lixo e acerte na lata”. No entanto, a meu ver esta campanha deveria ser intensificada e ser veiculada nos principais meios de comunicação, o que ainda não está ocorrendo, visando atingir a maioria da população. Além disso deveriam ser providenciados materiais impressos a ser enviados às Prefeituras para distribuição à população e empresas, como cartazes, folhetos, etc. 

Luciana Ribeiro - O que falta para sanar problemas como desmatamentos de áreas verdes, poluição das águas, etc. causados pelos lixões no Brasil?

Patricia Guarnieri:
 Primeiramente, os programas de educação e conscientização ambiental deveriam ser intensificados e deveria haver maior fiscalização. No caso de reincidência de poluição, desmatamentos, etc, os responsáveis deveriam ser multados, esta será uma das práticas da PNRS para todos os envolvidos na geração e gestão dos resíduos e faz parte do conceito de  responsabilidade compartilhada.

Luciana Ribeiro - Quais as decisões governamentais referentes ao uso das sacolas plásticas nos mercados, padarias, e outros estabelecimentos brasileiros?  Existe algum Programa de Educação Ambiental para estimular o uso de sacolas retornáveis?

Patrícia Guarnieri:
 Existe uma campanha de conscientização em andamento proposta pelo Governo Federal chamada “Saco é um saco”, mas desde 2008 o MMA atua para mostrar a importância do consumo consciente de embalagens, o uso de sacolas vêm sendo reduzido ao longo dos anos. A ABRAS assinou um acordo com o MMA, cuja meta é reduzir em 40% a distribuição de sacolas plásticas descartáveis, entre 2011 e 2015.

Luciana Ribeiro - O que fazer com os lixos eletrônicos gerados nos lares, mercados e outros estabelecimentos brasileiros? Existem postos para coletá-los e tratá-los de modo correto?

Patrícia Guarnieri: O lixo eletrônico não pode sob hipótese nenhuma, ser descartado no lixo comum, tendo em vista que possui metais pesados em sua composição que podem causar câncer, entre outras doenças. Existem campanhas esporádicas em shoppings, metrôs, terminais de ônibus e algumas lojas de varejo para o recolhimento dos eletroeletrônicos como computadores, celulares, eletrodomésticos. Com relação às pilhas e baterias, que também fazem parte dos eletroeletrônicos, estas podem ser descartadas permanentemente no banco Santander, que possui o programa Papa Pilhas e também na Rede Wallmart. Existe um projeto na USP, chamado CEDIR que recebe os eletroeletrônicos permanentemente.  Alguns fabricantes como HP, Epson, dentre outros possuem programas de logística reversa e fornecem informativos aos clientes de como descartar seus produtos.

Luciana Ribeiro - Comente suas expectativas por um Brasil mais cidadão e mais sustentável.

Patrícia Guarnieri:
 Eu espero que a PNRS seja um marco relacionado a como nós brasileiros lidamos com o lixo que geramos. Para isso será necessário que ocorra a intensificação das campanhas de conscientização e educação ambiental por parte do Poder Público e também, que as empresas implementem programas de logística reversa efetivos. Além disso, espero que a população, ao ter consciência do volume de resíduos que gera e da possibilidade do seu reaproveitamento, também seja mais consciente no momento do consumo e tome decisões de compra mais sustentáveis, comprando somente o necessário e escolhendo embalagens ecologicamente corretas.




Acesse para saber mais/ Patrícia Guarnieri
Responsável pelo Blog Logística Reversa:



http://www.patriciaguarnieri.blogspot.com.br/

Escritora do Livro Logística Reversa:



http://www.clubedeautores.com.br/book/44969--Logistica_Reversa

Agradeço sua colaboração que fomenta a democratização de conhecimentos socioambientais para educadores e comunidades do DF e do Brasil.

Fonte: Site Ecopedagogia/Luciana Ribeiro





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